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Entre a oportunidade e o desinteresse

Schopenhauer dizia que a existência humana se move como um pêndulo entre a ânsia de conquistar e o tédio de possuir. Fiquei pensando se essa reflexão não cabe, em parte, ao debate sobre a educação.

Hoje, muitos estudantes têm acesso a transporte escolar, fardamento, merenda, material, programas de permanência como o Pé-de-Meia e outras políticas que buscam reduzir a evasão. São avanços importantes e necessários. Ainda assim, em muitos casos, o entusiasmo pela escola parece menor do que em gerações passadas.

Minha mãe contava que caminhava quilômetros para estudar. A mochila, muitas vezes, era uma sacola simples. Faltavam recursos, mas sobrava a convicção de que a educação poderia mudar o destino de uma família. Ver pessoas que estudavam, se formavam e conquistavam uma vida melhor alimentava esse sonho.

Talvez a grande diferença não esteja apenas nas condições materiais, mas na percepção do valor da oportunidade. Quando algo é extremamente difícil de alcançar, tende a ser mais desejado. Quando passa a fazer parte da rotina, corre o risco de ser encarado como obrigação, e não como privilégio.

O desafio da educação do século XXI talvez não seja apenas garantir o acesso — isso é indispensável e representa uma conquista social. O desafio é devolver sentido ao conhecimento. Porque nenhum uniforme, nenhum ônibus, nenhuma merenda ou bolsa substitui aquilo que realmente transforma uma vida: a decisão íntima de aprender.


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