O diretor de Assuntos Corporativos e Relações com a Imprensa da Volkswagen do Brasil, André Senador, disse neste sábado, 28, que a decisão da matriz alemã de cortar todos os funcionários temporários pelo mundo não afeta diretamente a subsidiária brasileira. "No Brasil, não há esta modalidade de contrato nas áreas de produção, mas contratos de trabalho por tempo determinado", disse.

Senador informou que não há decisão tomada em relação à continuidade dos contratos temporários na filial brasileira. "No caso do Brasil, isso vai ser determinado pelos rumos do mercado e da economia."

 

Segundo Senador, 1.600 trabalhadores temporários estão alocados no Brasil, sendo mil deles em São Bernardo e 600 em Taubaté. No início de fevereiro, a Volkswagen renovou por mais um ano os contratos de 106 trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo. Em janeiro, dos 800 temporários em Taubaté, a Volkswagen do Brasil encerrou o contrato com 150, renovou com 200 outros e efetivou 450 funcionários.

 

A notícia do corte dos temporários terceirizados saiu neste sábado na revista alemã Der Spiegel. Em entrevista, o presidente da companhia, Martin Winterkorn, afirmou que 16.500 empregados temporários existentes em 2008, em todo o mundo, não continuarão nos quadros da empresa.

 

Segundo agências internacionais, no fim de 2008, a Volkswagen empregava na Alemanha cerca de 4.500 temporários do total de 16.500 e muitos dos demais estavam na Europa do Leste ou no Brasil. "Nós não vamos empregar mais nenhum deles", afirmou Winterkorn à revista alemã Der Spiegel quando questionado sobre quantos trabalhadores temporários a companhia terá no fim deste ano. "Isso é terrível para as pessoas afetadas, mas não há outra solução", acrescentou o executivo.

 

Em outubro passado, o grupo alemão negou em nota que planejasse encerrar as relações trabalhistas com até 25 mil temporários, mas ressaltou que usaria sua "considerável flexibilidade de produção para se adaptar às mudanças nas condições de mercado". Precisamente por isso, acrescentava a nota, a Volks conclui contratos com agências de emprego temporário. "Quando todas as outras opções, tais como o cancelamento de turnos extras, forem exauridas, a demanda futura por empregos temporários será revisada".

 

As vendas do grupo em janeiro no mundo caíram 21% em comparação com igual mês do ano passado, para 382 mil unidades, por causa da crise econômica e financeira. As vendas da marca Volkswagen caíram 14%, para 246,7 mil unidades.

 

As declarações do presidente mundial da Volkswagen não preocupam os sindicatos que representam os trabalhadores brasileiros da montadora alemã. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que representa os funcionários da unidade Anchieta, em São Bernardo do Campo, afirmou que as negociações entre a empresa e os trabalhadores ocorrem caso a caso e dependem mais da demanda de cada mercado em relação aos automóveis.

 

As declarações de Winterkorn também não preocupam os trabalhadores da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais (PR). Segundo o diretor do sindicato, Jamil Davila, a unidade opera em sua capacidade máxima desde 2004, em três turnos, e não possui trabalhadores contratados de forma temporária. "Não estamos preocupados", afirmou. Embora a produção de automóveis neste ano seja menor que a de 2008, Davila acredita que o mercado deve se recuperar no segundo semestre do ano, de forma que a produção em 2009 atinja os mesmos números do ano passado.

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ressaltou ainda que a fala de Winterkorn não é nova. O presidente mundial da companhia teria manifestado a intenção de dispensar temporários em outubro do ano passado, em reunião realizada na Alemanha com a presença de todos os sindicatos que representam funcionários da VW. Para a entidade, as declarações de Winterkorn à Der Spiegel teriam sido feitas em um contexto político de crítica à intenção do governo alemão em ajudar a concorrente Opel, do grupo GM, que na avaliação dele, passa por dificuldades estruturais há anos.

 

estadao.com.br

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