A Paraíba registrou aumento de 5,9% nas exportações destinadas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, mesmo diante do cenário de retração enfrentado pela maior parte dos estados brasileiros após a adoção de novas tarifas comerciais pelo governo norte-americano.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), enquanto 20 das 27 unidades da Federação tiveram queda nas vendas para os Estados Unidos no período, a Paraíba alcançou US$ 10,3 milhões em exportações para o mercado norte-americano entre janeiro e junho deste ano. O valor representa 15,8% das exportações totais do estado.
Apesar do desempenho positivo paraibano, o setor produtivo nacional já sente os efeitos das medidas adotadas pelos Estados Unidos. A redução das vendas brasileiras foi influenciada principalmente pela queda de 8,7% nas exportações de produtos industriais, com destaque para semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e outros produtos siderúrgicos.
Na última quarta-feira (15), o governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entra em vigor a partir de 22 de julho e foi definida após uma investigação iniciada em 2025 com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
De acordo com o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a decisão teve como base uma avaliação sobre temas como comércio digital, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso ao etanol, combate à corrupção e políticas ambientais.
A nova sobretaxa, porém, não atingirá todos os produtos. Uma lista com 2.126 códigos tarifários foi preservada, incluindo itens como café, suco de laranja e carne.
Para a CNI, a ampliação das tarifas aumenta a pressão sobre a indústria brasileira e pode comprometer a competitividade dos estados que possuem maior dependência do mercado norte-americano.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que os efeitos das medidas já começaram a aparecer e devem se intensificar com a nova cobrança.
“Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira”, declarou.
Paraíba mantém participação no mercado americano
Embora a Paraíba tenha uma participação menor no comércio exterior brasileiro, o desempenho no primeiro semestre indica uma resistência diante do ambiente internacional mais restritivo. As exportações para os Estados Unidos representaram uma parcela significativa da pauta externa do estado, com 15,8% de participação.
O cenário nacional, porém, preocupa setores industriais. Estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco registraram quedas expressivas nas vendas ao mercado norte-americano, enquanto a Paraíba conseguiu avançar no período analisado.
A gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, destacou que a ampliação das isenções tarifárias foi resultado do diálogo entre setores privados brasileiros e norte-americanos, mas avaliou que ainda são necessárias novas negociações.
Segundo ela, setores como madeira, minerais não metálicos e produtos químicos continuarão enfrentando tarifas adicionais elevadas, com possíveis impactos sobre emprego, investimentos e competitividade.
A CNI defende a intensificação das negociações entre Brasil e Estados Unidos para buscar uma solução que reduza os impactos das medidas comerciais.
Governo brasileiro contesta decisão dos EUA
O governo brasileiro repudiou a aplicação da tarifa adicional de 25% e afirmou que a investigação conduzida pelos Estados Unidos não possui respaldo nas regras do sistema multilateral de comércio.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo informou que pretende utilizar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e recorrer ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A medida abre uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois países, enquanto estados exportadores, incluindo a Paraíba, acompanham os possíveis efeitos sobre seus setores produtivos.
Redação com Brasil 61
