Por pbagora.com.br

As mulheres brasileiras desempenham múltiplos papéis na sociedade de nossos dias. Batalham para cumprir as exigências do mercado de trabalho; lutam para desempenhar satisfatoriamente as atividades domésticas (aliás, infelizmente, são ainda atribuições insuficientemente compartilhadas com os homens em grande parte das famílias); dedicam-se aos cuidados com dependentes como filhos pequenos e pais idosos e, também, a necessidade de cuidados pessoais como manter-se com corpo e aparência que lhe proporcione satisfação, além de cuidar da alimentação ou praticar atividade física, por exemplo. Para a economista paraibana Débora Alcântara, a mulher é tida como ‘uma mão invisível’ do mercado já que não tem seus esforços reconhecidos.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, as brasileiras geralmente realizam jornadas elevadas tanto no âmbito doméstico quanto no mercado de trabalho. Assim, costumam trabalhar em média 18 horas semanais a mais do que os homens. Essa informação nos ajuda a compreender melhor por que tantas mulheres relatam o sentimento de estarem sempre sobrecarregadas e/ou esgotadas física e mentalmente.

“A mulher se encarrega das atividades domésticas e, na pandemia, isso se intensificou. A mulher é a mão invisível da produção. A partir do momento que as mulheres assumem essas atividades, acaba-se criando a possibilidade de o homem se qualificar mais, permanecer mais tempo no mercado de trabalho e conseguir salários mais altos. Mesmo contribuindo para o desenvolvimento do país, esse trabalho é invisibilizado”, disse Débora Alcântara.

A sobrecarga de trabalho das mulheres é um fenômeno complexo e com múltiplas causas e consequências em nossas vidas e sociedade. Sendo assim, especialistas apontam soluções que possam ser efetivamente alcançadas, para aliviar essa sobrecarga.

• Esteja atenta a sua saúde física e mental: o acúmulo de funções e o trabalho intenso e sob pressão podem impactar a saúde de seu corpo e de sua mente. Preste atenção a sintomas e, se necessário, busque ajuda e orientação de um profissional da saúde;
• As necessidades básicas de sono, alimentação e descanso devem ser priorizadas: planejar e desenvolver uma rotina que permita que você tenha sono regular e reparador; alimentação nutritiva e descanso é essencial para que você tenha qualidade de vida e rendimento;
• Organize seu tempo e estabeleça prioridades: uma maior racionalização de sua rotina de atividades com a definição de que é realmente prioritário para você pode impactar diretamente seu rendimento e bem-estar;
• Evite o perfeccionismo: é natural que busquemos fazer sempre o melhor possível. No entanto, esteja atenta para identificar se a busca pelo perfeccionismo ou o excesso de autocobrança não está aumentando ainda mais a sua sobrecarga;
• Aprenda a relaxar: é importante que você tenha algum tempo e disponibilidade para relaxar ou fazer algo que goste;
• Dialogue com familiares, amigos e colegas e, se possível, negocie um melhor compartilhamento de tarefas;
• Busque sentido para a sua vida e para as suas atividades: a rotina intensa e puxada pode nos levar a desenvolver atividades de forma mecânica. No entanto, ao atribuirmos sentidos e significados às nossas tarefas e à nossa vida, cuidamos de nossa saúde mental;
• Por fim, cultive a sororidade: compreenda que outras mulheres também estão em sobrecarga física e mental e que precisamos nos ajudar!

Redação