O setor automotivo se recuperou da forte queda em dezembro e impulsionou a primeira alta na produção industrial brasileira desde setembro de 2008, quando a crise financeira mundial se agravou com a quebra do Banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos. A alta de 40,8% na produção de veículos foi o principal fator para a subida de 2,3% no indicador de janeiro, após uma queda de 12,4% em dezembro, informou nesta sexta-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho, no entanto, foi menor do que o previsto por especialistas ouvidos pela Agência Estado, que aguardavam uma elevação entre 4,2% e 11%.

Esta é a primeira alta da produção industrial após um quarto trimestre completamente negativo. Sempre na comparação com o mês anterior, o indicador caiu 2,8% em outubro, 5,2% em novembro e 12,4% em dezembro. Na comparação com janeiro de 2008, a produção caiu 17,2%. Em 12 meses, a produção da indústria acumula alta de 1%.

 

Com a alta de janeiro, o setor de veículos zerou os mesmos 40,8% que havia perdido em dezembro de 2008 na comparação com novembro. À época, a maioria das montadoras optou por dar férias coletivas aos funcionários temendo um cenário de incertezas devido à crise. No mesmo mês, entrou em vigor a redução para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor, que ajudou a reduzir os preços dos carros. O desconto para o IPI acaba neste mês, mas pode ser renovado.

 

Apesar da alta expressiva no setor de automóveis, a produção melhorou em 15 dos 27 ramos da indústria investigados pelo IBGE. Os resultados de material eletrônico e equipamentos de comunicação (28,4%), borracha e plástico (13,6%), têxtil ( 10,3%) e alimentos (1,6%) também foram destaque. Todos esses cinco ramos registraram forte recuo em dezembro: -40,8%, -39,0%, -20,3%, -11,9% e -4,3%, respectivamente.

 

Entre as indústrias que reduziram a produção, na passagem de dezembro para janeiro, destacam-se as de base, como máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,5%), refino de petróleo e produção de álcool (-3,6%) e metalurgia básica (-4,7%).

 

A produção de bens de consumo duráveis, como veículos e eletrodomésticos, cresceu 38,6%. Os bens de capital – máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo – subiram 8,4%. Os bens intermediários, que são produtos absorvidos na produção de outros, como o aço no caso dos carros, cresceram 0,8%, enquanto a produção de bens de consumo semi e não duráveis, como vestuário, por exemplo, caiu -0,6%.

 

estadao.com.br

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