O clima é de festa. E de combinação entre Forró e Copa do Mundo. As ruas e lojas estão decoradas. O colorido das bandeiras revela que a temporada junina chegou. Os trios de forró recepcionando os clientes na entrada das lojas traduz o clima do São João, embalados pelo toque da sanfona, do triângulo e da zabumba.
O Maior São João do Mundo transforma Campina Grande movimenta o comércio e toda uma cadeia produtiva. Ao mesmo tempo em que as ruas do Centro se enchem de bandeirolas e trios de forró animam o dia de trabalho, milhares de clientes visitam as lojas do varejo em busca da roupa e do calçado aproveitando também para comprar outros itens, como acessórios e produtos de beleza. Por ser um ano de Copa do Mundo, a perspectiva é que o movimento supere o ano anterior.

A festa que fomenta a cultura e economia regional, com músicas, danças, vendas de comidas típicas, produção de roupas de quadrilhas, é uma grande oportunidade de aumento das vendas para o comércio. O setor é um dos que mais lucram com o evento e só perde para dezembro com as compras de final de ano.
Além de roupas, calçados e e peças de decoração, a procura também é por tecidos e aviamentos em geral como fita, linha, bico para a confecção de roupa junina, além de artigos para a decoração de ambientes, a exemplo de chapéu de palha e balões e também para a ornamentação de pratos e cenários do segmento da gastronomia. Os tecidos que colorem as quadrilhas, as barracas e as ruas de Campina Grande são parte fundamental do brilho do São João, levando adiante a tradição e a cultura da cidade.
Esta semana o PB Agora percorreu ruas como Maciel Pinheiro, Venâncio Neiva, Marquês do Herval, entre outras tidas como as principais e tradicionais do centro da cidade, e atestou como as lojas já estão lucrando com a festa.

A Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), projeta um crescimento entre 3% e 5%, em relação ao mesmo período do ano passado. Para o comércio, o aquecimento nas vendas nesse período inspira expectativas positivas. É o que afirma Eliézio Bezerra de Farias, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Campina Grande.
“Nossa expectativa é sempre positiva, tendo em vista que essa é a nossa maior festa, o São João. Sem sombra de dúvida, a economia é aquecida, principalmente nos setores do comércio varejista, como moda, vestuário, calçados e beleza. Na verdade, todos os segmentos registram aumento nas vendas nesse período. Mesmo diante de um cenário nacional um pouco difícil e reprimido, quando chega o São João, as vendas se fortalecem. Estamos projetando um crescimento entre 3% e 5%, o que, para o momento, é um resultado muito positivo”, explicou.
No ano passado, a CDL projetou um crescimento no comércio em torno de 7% tendo em vista que em 2024 o setor cresceu 6,57 em relação a 2023, o que representou uma receita de 614 milhões aproximadamente na nossa economia local.
O São João 2026 de Campina Grande, Agreste da Paraíba, deve gerar uma movimentação econômica superior a R$ 800 milhões. R$ 816 milhões precisamente. Os dados são da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede) da cidade, que vai sediar O Maior São João do Mundo de 3 de junho a 5 de julho.
A projeção de movimentação econômica da Sede apresenta um aumento de 10% em comparação com a movimentação gerada pelos festejos juninos em Campina Grande em 2025, quando a festa gerou mais de R$ 780 milhões.
Para atrair os clientes, os lojistas usam da criatividade. E envolvem todos no clima contagiante do período junino. Em uma das lojas, no Centro da cidade, os clientes são recepcionados pelo forró de Luiz Gonzaga e por um personagem vestido a caráter, representando o Rei do Baião. Algumas lojas investem na contratação de trios de forró, e capricham na decoração. Tudo para atrair os clientes.

O presidente da CDL confirmou que São João é a segunda melhor data, perdendo apenas para o Natal, o que deixa o setor varejista animado.
Com espírito empreendedor, filho do empresário criado de uma rede de lojas de calçados de Campina Grande, Eliézio Bezerra de Farias contou que os empreendedores do comércio campinense esperam pelo São João para melhorar o resultado de todo o seu ano.
“ A CDL sempre procurou ornamentar as nossas ruas, deixando tudo decorado, tudo organizado para que a gente possa, de fato, ter na nossa área central, principalmente, um local onde as pessoas, ou seja, da cidade, nossos consumidores, ou também os nossos turistas, eles possam entender e compreender que estão, de fato, no melhor e maior São João do mundo. Ao longo de todos os anos, a nossa meta é fazer com que a nossa cidade, o nosso varejo, continue pujante, então acredito, sem sombra de dúvida, que teremos um dos melhores São João de todos os tempos” projetou Eliézio.
A movimentação no comércio começa cedo. Muitos comerciantes fazem os pedidos no final do ano, já visando a procura no período junino. O xadrez não pode faltar, por ser um tipo de estampa clássica que com criatividade pode ser usada de diversas formas.
Muitos dos tecidos que decoram as barracas no Parque do Povo, epicentro da festa, foram comprados na Talismã Tecidos & Aviamentos, na Maciel Pinheiro. A procura pelo tecido, principalmente no xadrez, tem sido grande este ano, conforme garantiu a gerência da loja.
Em algumas lojas de tecidos, o crescimento das vendas nos meses que antecedem o São João, chegam a superar os 20% em relação aos demais meses do ano, sendo que em alguns anos, esse percentual chegou a subir.
A maior procura é a chita, tecido 100% algodão, para fazer vestidos de quadrilha. O poliéster é mais para decoração, tanto a chita como o xadrez. A partir de R$ 9,90 a loja tem opções para os forrozeiros. O filó e tecidos bordados também estão entre os mais procurados.
Uma das lojas mais procuradas nessa época é a Luiz Tecidos na rua Barão do Abiaí. Luiz Tecidos existe há 29 anos, desde 1997.
O proprietário do empreendimento, o empresário Luiz Virginio reafirmou que as vendas no período junino sempre superam as expectativas.
Com mais de 58 anos de experiência no ramo, Luiz Virgínio, garante que a temporada junina é a mais lucrativa para para o setor, quando muitos negócios são feitos.
O PB Agora visitou a loja de Luiz Virgínio nesta quarta-feira (09) e atestou como o empresário se preparou para mais um São João. Sorridente e atencioso com os clientes, Luiz Virgínio garantiu que o período junino é sempre sinônimo de fartura e prosperidade. Boa parte dos tecidos da loja é vendida para as quadrilhas juninas. Por ser ano de Copa do Mundo, ele espera que as vendas cresçam ainda mais.

“O mês de junho é como se fosse um mês de Natal para a gente. Vendemos muita chita, muito tecido acetinado, muito xadrez. A gente costuma fazer um pacote só e as quadrilhas quando compra são para 20 a 40 componentes. Aí a quantidade é grande. Essas festas aumentam muito as nossas vendas “, garantiu.
Ele também detalhou os preços da chita de poliéster a partir de R$ 7,50, o Oxford a partir de R$ 9,90 e o xadrez a partir de R$ 10,00 todos com duas larguras.
Luiz Virgínio garantiu que o aumento nas vendas têm um incremento de 25% e até 30% em relação aos demais meses do ano. Para dar conta da procura, ele chega a fazer as contratações temporárias como acontece no final do ano. Alguns dos funcionários são efetivados quando passam os festejos.

Para “aguentar” 33 dias de festa e toda a maratona de forró, tem que ter um calçado resistente. Em Campina Grande, a produção de calçados une tradição, criatividade, modernidade e sustentabilidade. O lugar onde se dança forró, e que no passado longínquo foi rota obrigatória dos tropeiros, caminha com passos firmes e bem calçados já tendo conquistado um protagonismo que vai ganham força nas festas juninas.
A procura pelo calçado também cresce nessa época e o faturamento quase que dobra em relação aos demais meses do ano. Na loja Aluísio Calçados, uma das mais tradicionais e antigas da cidade com mais de 50 anos, a procura é grande no período junino.
O gerente de uma das lojas, na Marquês do Herval, Rildo Teixeira de Lima, mostrou ao PB Agora a infinidade de sapatos e botas nas prateleiras à espera dos forrozeiros. Rildo garante que o período junino é um dos mais lucrativos para o setor de calçados, só perdendo para as festividades do final de ano.
“Todos os anos a nossa expectativa é sempre boa. A gente começa a trabalhar produtos da época, como bota, sandália de plataforma, ou seja, aquilo que o povo almeja nesse período, que é bem procurado. E a expectativa é que a gente sempre anda mais do que os outros anos “, destacou.
Rildo garante que uma das marcas da loja é pela qualidade do produto, alguns fabricados na Paraíba, mas outros vindos do Sul e Sudeste.

Com várias lojas na cidade, a rede de Aluísio Calçados é uma das mais respeitadas e conceituadas no mercado, que também conta com o Aluisio Fashion. Fundada pelo empresário, Aluísio Salviano, a Aluízio Calçados, tem 54 anos no mercado. Juntas, as lojas da rede empregam mais de 250 colaboradores.
Enquanto nas lojas de tecidos e calçados a procura pela roupa e pelo sapato para está confortavelmente bem para a festa, nas lojas de decoração a procura é por artigos para deixar as casas e estabelecimentos no clima da festa. Uma tradição que se renova a cada ano. Na entrada da loja Mil Coisas, na Vila Nova da Rainha, os produtos chamam atenção pela originalidade. A loja investiu alto nos produtos de decoração, principalmente ligados a Copa do Mundo. São bandeirolas coloridas, balões e outros artigos que remetem as raízes, costumes e tradições nordestinas. E a procura tem sido intensa.

O impacto positivo do São João no comércio campinense é sentido pela Associação Comercial de Campina Grande (ACCG). Com as ruas e lojas decoradas, o presidente da da ACCG, Sidney Toledo, garante que o São João é o melhor período para a economia da cidade. Em média, o comércio campinense tem um incremento entre os 7 e 10%% nas vendas em relação aos demais meses do ano.
“O São João é uma tradição que vai além da cultura; é um motor de desenvolvimento econômico. Já sentimos um aquecimento significativo no comércio, e a tendência é de crescimento contínuo até o final dos festejos”, afirmou.
Toledo destaca ainda que o evento, considerado o maior do mundo em sua categoria, atrai turistas, gera empregos temporários e fortalece diversos setores, como hotelaria, alimentação, vestuário e serviços. Para a ACCG, a expectativa é que 2025 supere os números dos anos anteriores, consolidando Campina Grande como um polo de negócios e cultura no período junino.

De entreposto comercial, famosa pelo algodão, até o reconhecimento na área de tecnologia, a Campina Grande sempre teve no seu comércio uma fonte de renda. O São João não foi diferente. E a 43º promete ser histórica para o segmento. Dos Coqueiros de Zé Rodrigues ao Forródromo até a revitalização do Parque Evaldo Cruz, o São João sempre contribuiu para consolidar e fortalecer o comércio local e consequentemente, impulsionar a economia local.
Severino Lopes
PB Agora
