Brasil cresce mais que países ricos, mas ainda tem longo caminho pela frente
Falta de coordenação entre esferas de governo impede expansão maior, diz economista
O Brasil cresceu no ano passado a uma taxa não vista desde 1986, de 7,5%. O dado impressiona, uma vez que supera o de cada uma das principais economias desenvolvidas: os Estados Unidos cresceram apenas 2,8%; o Japão, meros 3,9%, e na Europa o desempenho foi sofrível: 1,7% na zona do euro (grupo de 17 países que usa a moeda comum) e 1,8% na União Europeia como um todo.
O ritmo do Brasil poderia sugerir que o país está a caminho do clube dos países ricos. O crescimento da renda e do emprego favoreceu o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas por um país), a oferta de crédito levou os consumidores às lojas, estimulando a produção, e o crescimento da renda per capita (por membro da família) foi de 6,5%.
Mas essa impressão só resiste se olhada apenas em nível superficial.
O Brasil, por exemplo, é o terceiro colocado entre os quatro países do Bric – grupo do qual fazem parte ainda Rússia, Índia e China. O PIB chinês cresceu 10,3% no ano passado, apesar das tentativas do governo do país de conter a oferta de crédito e os investimentos no mercado imobiliário, por exemplo. A Índia deve crescer 8,6%.
O Brasil só supera a Rússia (3,9% de crescimento), país com sérios obstáculos ao investimento, problemas de infraestrutura e cujas receitas dependem basicamente do petróleo (produto sujeito a fortes variações de demanda e preços no mercado mundial).
Os países ricos, por sua vez, embora ainda lutando contra os efeitos da crise global de 2008-2009, continuam tão na frente como sempre estiveram. O PIB dos EUA, por exemplo, em valores, passa de R$ 23 trilhões – cerca de sete vezes o do Brasil (R$ 3,67 trilhões). A renda per capita dos americanos no ano passado foi de cerca de R$ 77,8 mil; a do brasileiro foi de R$ 19 mil.
A comparação com os europeus também não põe o Brasil em posição de mais vantagem: em Portugal (um dos países com mais dificuldades em sair da crise), a renda per capita é de R$ 38 mil; na Alemanha (maior economia europeia), a renda é de R$ 59 mil.
Ritmo Insustentável
O ritmo de crescimento do Brasil no ano passado, embora animador, não é sustentável. Para o professor de finanças da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) Luiz Jurandir, “não há chance” do Brasil repetir esse desempenho neste ano.
– Não há mão de obra qualificada para isso, não temos aeroportos, não temos estradas. A economia, para crescer e funcionar, tem de dispor de condições para escoar a produção, de gente para produzir.
Ele destaca ainda que, quando o crescimento é rápido demais, esse crescimento gera deformidades que podem levar a problemas piores do que o não crescimento. A inflação, por exemplo, é uma das conseqüências, ele diz: com o crescimento do mercado interno além da capacidade de produção, a demanda pressiona e leva a altas de preços.
Para ele, o Brasil sofre de um problema de falta de coordenação entre as diversas esferas de governo, e resolver esse problema é essencial para que o país possa ter um crescimento sustentável.
– Não é incomum vermos num dia um governo estadual adotar uma ação, no outro um governo municipal uma outra em sentido oposto e o governo federal num terceiro. A falta de organicidade dos governos prejudica a adoção de medidas coordenadas, que facilitem obras de infraestrutura, saneamento, energia, transportes. Há uma incapacidade administrativa que é estrutural, e precisa ser resolvida.
R7
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