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PIB crescerá 3% em 2012, prevê indústria

A economia brasileira não deve crescer mais que 3% em 2012, mantendo o nível de baixo crescimento e estagnação do segundo semestre de 2011. É o que revela o Informe Conjuntural da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado nesta quinta-feira (12), em Brasília.

De acordo com os representantes da indústria brasileira, o PIB (Produto Interno Bruto – soma das riquezas produzidas no país) da indústria não deve ter grandes avanços, mesmo com o aumento da demanda interna.

A previsão da CNI é que a indústria cresça à taxa de 2% em 2012. O menor crescimento deve ficar com a indústria de transformação: 1.5%, metade do crescimento esperado para a economia brasileira em geral.

O faturamento dessazonalizado [aquele registrado em épocas corriqueiras do ano, longe das grandes datas com maior nível de consumo] da indústria de transformação caiu 2,5% na média dos dois primeiros meses de 2012 na comparação com o quarto trimestre do ano passado.

A produção industrial dessazonalizada na média dos dois primeiros meses de 2012 também teve queda. O recuo foi de 0,5% comparado com o último trimestre de 2011.

Segundo a CNI, o resultado praticamente sinaliza novo trimestre de desempenho negativo para o setor. Para ter estabilidade no primeiro trimestre, ou seja, crescimento nulo frente ao trimestre anterior, a indústria terá de aumentar sua produção em 1% em março frente a fevereiro.

Os resultados negativos nos últimos meses refletem na confiança do empresário industrial. Os índices que medem essa percepção ficaram abaixo de 50 pontos em março em 23 dos 28 setores da indústria de transformação. Na avaliação da CNI, valores abaixo de 50 pontos indicam uma percepção negativa do cenário atual da economia brasileira.

Para o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o baixo crescimento da economia brasileira está diretamente ligado ao baixo crescimento da indústria de transformação.

– Se o Brasil quer crescer com taxas robustas e significativas, a indústria tem que se fazer presente e crescer mais que o PIB. Os dados históricos e comparados com outros países semelhantes ao Brasil mostram que a indústria de transformação, a manufatura, puxa o crescimento da economia.

A previsão da CNI feita em 2011 foi mantida. Até o fim do ano passado, a previsão do PIB era de 3% e continua no mesmo patamar.

Consumo

Os dados da CNI revelam que o consumo continua sendo o maior responsável pelo crescimento da economia brasileira e deve ter aumento de 4% em 2012. O crescimento do consumo tem aumentado conforme o aumento de emprego formal, expansão do crédito e das medidas do governo de redução de IPI em alguns setores.

O crescimento das importações dos últimos cinco anos continuará em 2012. A expectativa da CNI é que as importações cresçam três vezes mais (7,6%) que as exportações (2,5%).

Brasil Maior

O resultado negativo divulgado pela CNI acontece uma semana depois do governo federal lançar a nova etapa do Plano Brasil Maior. As novas medidas pretendem reduzir a crise da indústria, aumentar a competitividade das empresas brasileiras e estimular contratações.

São medidas cambiais, tributárias, de estímulo ao mercado nacional com compras governamentais de produtos nacionais, financiamento ao comércio exterior, defesa comercial, entre outras.

O governo também vai incentivar o setor de informação e comunicações com o Plano Nacional da Banda Larga e o programa "Um computador por aluno". O PSI será renovado, com redução de taxas de juros, aumento do volume de crédito, e maior cobertura para operações financeiras.

O setor de automóveis também terá medidas específicas. A ideia é estimular o investimento das montadoras aqui no Brasil, que já é o terceiro maior mercado mundial de automóveis. O governo quer ampliar a produção nacional, envolvendo a tecnologia brasileira, desenvolvendo a engenharia praticada no País e, assim, aumentar a participação dos componentes fabricados aqui no setor automotivo.

Para Branco, o pacote de medidas do governo federal pode ter impacto na indústria, mas devem ser restritos ao segundo semestre.

– O pacote não tem efeito para trás. Medidas do plano Brasil Maior só começaram a ter efeito nesses primeiros meses do ano como a desoneração da folha para alguns setores e as últimas medidas anunciadas são para o futuro. O efeito prático termina sendo mais reduzido e pode se materializar apenas a partir de agosto, no segundo semestre.

 

R7

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