Categorias: Economia

Pânico não deve voltar, mas clima ainda é bastante delicado, afirmam analistas

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Se os mercados globais voltam a respirar suavemente, as perdas dos últimos dias foram suficientes para deixar os nervos de investidores novamente à flor da pele. Com os persistentes problemas do setor financeiro, teme-se que o pânico volte a qualquer momento.

O alarme foi disparado. Em apenas uma sessão (terça-feira), o Ibovespa registrou perdas de 4,7% e todo o filme da crise passou pelas mentes dos investidores – o suficiente para acabar com o mínimo de confiança reconquistada desde o final de dezembro passado.

Para muitos, apenas o reflexo das muitas incertezas que sondam a economia global – mais especificamente sobre os bancos, que centralizam os holofotes e manchetes desde o início da crise. Desfeitas as esperanças postas sobre os pacotes de salvação governamental, a desconfiança volta à cena.

Brasil em foco

Entrelaçado aos mercados globais, o Brasil não escapa dos dissabores provenientes da Europa e Wall Street, mesmo possuindo fundamentos mais sólidos. "O sistema bancário está muito mais forte do que a média nos outros países", ressalta John Schulz, presidente da BBS – Brazilian Business School, Ph.D pela Universidade de Princeton.

Opinião semelhante possui Frederico Mesnik, gestor da Humaitá Investimentos. "A situação mundial não é nem um pouco boa, mas, por outro lado, você vê o Brasil bem posicionado para enfrentar isso", afirma. Em sua visão, o País é opção mais segura para investimentos, pois além da maior solidez bancária, possui menor dependência de exportações.

Para o gestor, os movimentos recentes no mercado doméstico não se sustentam. Embora os investidores visualizem o Brasil como uma boa opção, ainda não possuem informações suficientes para saber quais empresas adquirir, o que os leva a um comportamento de "manada", como define. Maior estabilidade, somente após os balanços do primeiro trimestre de 2009.

Pânico

Entretanto, muitos ainda receiam que os picos de nervosismo atingidos entre outubro e dezembro do ano passado retornem. "Eu diria que ainda não estamos em pânico, mas ainda muito receosos, desconfiados. Aparentemente melhorou um pouco desde o pior, mas não é a hora de ninguém entrar com muito otimismo", disse Schulz.

Na mesma linha, o fundador da Humaitá afirma que existe baixa probabilidade do pânico se instaurar. "Quanto mais noção da realidade os mercados têm, menor é o risco de pânico, pois é gerado quando não há informação e há espaço para fantasias", ressalta.

O que fazer

Quase consensual, a avaliação da necessária intervenção no sistema bancário dos EUA, cujos problemas os analistas julgam não ter havido resposta adequada. Em outros setores, como no caso das atribuladas montadoras de carros, não há risco sistêmico. "Falência, concordata… que se resolva a questão e dê tranquilidade aos mercados", conclui Mesnik.

Todavia, o plano de resgate dos bancos proposto pelo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, foi considerado nebuloso e mal recebido por grande parte dos mercados. Ainda assim, seu desenvolvimento pode dar início à recuperação.

"Os bancos podem ser estatizados, os acionistas perderem tudo, mas seria muito grave para o sistema caso os interesses dos outros depositantes e credores não fossem salvaguardados", defende John Schulz, que qualifica a quebra do Lehman Brothers como um "desastre".

Contundência

Mesnik avalia que o teste de crédito proposto por Geithner é sensato. Separar instituições solventes das que têm problemas. Entretanto, alguns analistas estimam que a fila dos "bancos bons" estará às moscas, enquanto na outra – dos que possuem ativos podres em demasia – estarão os figurões do setor, como Citi, JP Morgan Chase, BofA e Wells Fargo.

"É preciso ter uma atitude mais contundente de nacionalização, limpeza dos bancos podres, privatização das coisas boas e uma visão mais de longo prazo. Aí sim, os mercados vão começar a voltar", define Frederico Mesnik. "Espero que os governos tomem conta de seus bancos", arremata John Shulz.
 

 

UOL

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