A alta vai durar?
O Índice Bovespa subiu 26% nos últimos dois meses – num movimento que começou no final de novembro, em meio a uma típica valorização de fim de ano, e continuou em janeiro. Entre as 20 empresas que mais subiram no período, há oito construtoras, como a Rossi, e três bancos de médio porte, como o Bicbanco. Isso significa que os investidores estão apostando em melhoras nos resultados dessas empresas? Não, dizem os analistas. Segundo a corretora Banif, o movimento da bolsa é explicado muito mais por fatores especulativos do que por análises de fundamento. "São papéis que os investidores compraram porque caíram demais. É uma estratégia de curto prazo, feita para tentar compensar perdas", diz Rodrigo Ferraz, chefe de análise da Brascan Corretora. "A qualquer momento, eles podem decidir vender para embolsar os ganhos." Uma exceção é a CSN. A ação da siderúrgica subiu 78% nos últimos dois meses em razão, principalmente, da venda da mineradora Namisa no fim de 2008. A operação gerou um caixa de cerca de 3 bilhões de dólares, suficiente para zerar seu endividamento líquido.

 

"Não é hora de comprar mais ações"
Em novembro de 2007, quando o Ibovespa estava em torno de 65 000 pontos, Marcelo Audi, estrategista da corretora do Santander, passou a recomendar que seus clientes diminuíssem os investimentos na bolsa. Quem levou a sério o conselho perdeu a alta de 73 000 pontos em maio de 2008, mas protegeu seu dinheiro da derrocada da bolsa nos meses seguintes. Nas últimas semanas, o conselho de Audi mudou. É o momento, segundo ele, de manter posições.

 

Por que não vale a pena aumentar os investimentos na bolsa neste momento?
A hora certa de aplicar será quando a economia brasileira e a mundial chegarem ao fundo do poço. Como ver isso? Acompanhamos uma lista de 16 indicadores, que incluem previsão para PIB, inflação, produção industrial e preço relativo de ações de diferentes países. Quando a maioria desses indicadores parar de piorar e ficar estável, será um indício de que chegamos ao piso. Esse será o
momento de voltar a comprar.

 

Dá para contar com um 2009 positivo para o mercado de ações?
Sim, mas boa parte da recuperação deverá ocorrer no segundo semestre.
Os próximos meses ainda serão complicados. Estamos no olho do furacão, aqui e no exterior. Nossa previsão aponta para um Ibovespa em 49 000 pontos em dezembro deste ano, o que significa alta de cerca de 25% em relação ao patamar de meados de janeiro. Mas essa valorização, é bom dizer, não deve ocorrer sem solavancos.

 

 

CÂMBIO
Como se proteger da alta do dólar
Quem voltou de viagem nos últimos dias e fez dívidas no cartão de crédito tem algumas alternativas para se proteger do persistente sobe-e-desce do câmbio. Aqueles que terminaram as férias com dinheiro em caixa podem pagar antecipadamente a fatura do cartão. "É possível aproveitar um dia em que a cotação do dólar caiu e liquidar logo a dívida", diz o assessor financeiro Mauro Calil. Para quem não tem dinheiro disponível e fica incomodado com a volatilidade da moeda, a alternativa é negociar contratos futuros de dólar na BM&F. Funciona assim: o investidor fecha hoje o direito de comprar dólares numa determinada data por uma cotação já definida. Dessa forma, ele sabe de antemão exatamente quanto irá gastar no dia do vencimento do cartão. O risco é a cotação do dólar cair até a data.

 

 

CRÉDITO
Está mais difícil comprar carros a prazo
Quem pensa em aproveitar a recente queda de preços para comprar um carro novo – e não tem dinheiro para pagar à vista – deve ficar atento à piora das condições dos financiamentos. Os juros subiram e os prazos caíram, o que aumenta o valor das prestações.
Veja o quadro

 

 

TESOURO DIRETO
O retorno piorou
Os juros pagos pelos títulos públicos prefixados, que determinam hoje quanto o investidor receberá no futuro, caíram. O título NTN-F, por exemplo, que chegou a oferecer retorno anual de quase 18% em novembro de 2008, hoje paga cerca de 13% (veja quadro abaixo). Ainda assim, o investimento continua valendo a pena, dizem os especialistas, porque a tendência é que os juros caiam daqui em diante. Quem comprar o NTN-F agora garante um retorno anual de 13% até o vencimento do papel, em 2017.

 

 

FUNDOS
De olho nas taxas
A taxa de administração média dos fundos de ações no Brasil é de 3% ao ano. Em tese, fundos menos sofisticados – como os que seguem o desempenho do Ibovespa – deveriam cobrar taxas mais baixas. Isso porque, nesses casos, o trabalho do gestor de administrar os papéis que fazem parte da carteira é menor. Na prática, porém, nem sempre isso acontece. A maioria dos grandes bancos tem fundos Ibovespa com taxas de 3% a 4%. No Itaú, um fundo que aplica apenas em ações do próprio banco cobra 3%. O conselho dos especialistas é evitar essas carteiras.

 

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