A equipe econômica do governo começou a estudar alternativas para permitir que o trabalhador que aceitou os acordos coletivos possa sacar parte do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para complementar a renda de que teve de abrir mão.

No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou nesta quarta-feira que o governo constrói uma forma de facilitar acordos coletivos com redução de jornada de trabalho e de salário, como havia anunciado o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Lula disse ainda que o caminho para evitar o desemprego durante a crise financeira internacional é a negociação entre patrões e empregados.

– Às vezes eu fico chateado quando as pessoas começam a falar pela imprensa antes de me dizerem as coisas. Fico chateado porque pode não acontecer. Ou seja, para as pessoas me convencerem de umas coisas precisam se dotar de argumentos, porque eu entendo muito de negociação, fiz isso a minha vida inteira e acho que não existe nenhum momento que você vai ficar desesperado, achando que cada um tem uma solução no bolso do colete – reclamou Lula após se reunir com o presidente da Namíbia, Hifikepunye Pohama, no Palácio do Itamaraty.

De acordo com o presidente Lula, em princípio, o governo não vai interferir nos acordos entre patrões e empregados, embora, em sua opinião, as empresas não estão com a razão ao buscar flexibilizar leis trabalhistas como forma de enfrentar a crise financeira.

– O caminho é negociação entre empresa e sindicato. O governo só entra na negociação entre o capital e o trabalho no dia em que uma das partes pedir e as duas concordarem. Eu era dirigente sindical e eu nunca aceitei que o governo se metesse nas minhas negociações. A única coisa que eu queria era liberdade para negociar. Os dirigentes sindicais e os empresários têm liberdade para negociar. Certamente nenhum dos dois vai ganhar 100% do que está reivindicando, mas vai ficar com uma coisa que é razoável para a continuidade do crescimento no Brasil – avaliou.

Segundo Lula, que classificou de "absurda" a proposta de alterar a legislação do trabalho, prova de que as empresas usam a flexibilização das leis trabalhistas como pretexto para demissões mais baratas é que no ano passado a rotatividade de trabalhadores foi de 15 milhões, enquanto as contratações chegaram a 16 milhões de pessoas.

– A rotatividade de mão-de-obra no Brasil sempre foi muito grande. Se vocês não se lembram, na década de 70 eu era dirigente sindical e a minha grande briga era contra a rotatividade de mão-de-obra. As empresas, mesmo quando o emprego está crescendo, a rotatividade é altíssima. Por isso que de vez em quando eu estranho alguns empresários dizerem que é preciso flexibilizar porque é difícil mandar o trabalhador embora. É uma coisa absurda. O ano passado a rotatividade foi de praticamente de 15 milhões de trabalhadores. Um país que pode se dar ao luxo de contratar 16,5 milhões e dispensar 15 milhões não pode dizer que aqui tem alguma dificuldade em dispensar qualquer pessoa – comentou.

 

Portal Terra

 

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