Categorias: Economia

Governadores, até os não aliados de Lula, reagem com indignação ao “tarifaço” dos EUA e à articulação da família Bolsonaro

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A imposição de tarifas comerciais pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, com apoio declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), gerou forte reação de governadores em diversas regiões do país — inclusive entre aqueles que não integram diretamente a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Um dos que se manifestaram com maior veemência foi o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD). Em entrevista ao UOL News nesta quinta-feira (25), Leite classificou como “imperdoável” a articulação da família Bolsonaro para pressionar o governo americano a taxar produtos brasileiros como forma de retaliar a política externa adotada pelo Brasil.

“O que a família Bolsonaro, incluindo o ex-presidente e o deputado Eduardo nos Estados Unidos, fez em relação à articulação para a imposição dessas tarifas é absolutamente imperdoável. Colocar o país para ter um sacrifício enorme das empresas e dos empregos em função de um interesse pessoal não pode ser admitido”, disparou o governador gaúcho.

Embora Eduardo Leite não seja aliado direto de Lula, tampouco do PT, ele se somou a outros chefes de Executivo estadual que demonstraram preocupação com os impactos econômicos das medidas norte-americanas. O chamado “tarifaço” afeta principalmente produtores de aço, alumínio e produtos agrícolas, setores com forte presença em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

A crítica à família Bolsonaro, nesse caso, unificou vozes de diferentes espectros políticos. Um governador do Centro-Oeste, que preferiu não se identificar, afirmou reservadamente que a atitude de Bolsonaro nos Estados Unidos é “um tiro no pé do Brasil”, independentemente de quem esteja no comando do Planalto. “Não se brinca com empregos e competitividade por revanche ideológica”, afirmou.

A fala de Eduardo Bolsonaro durante eventos conservadores nos EUA, em que ele sugeriu que o Brasil deveria ser “punido” por sua postura política internacional, caiu mal inclusive entre aliados ocasionais do bolsonarismo. A avaliação entre governadores é que a medida compromete milhares de empregos e coloca a diplomacia econômica do Brasil em situação de vulnerabilidade, abrindo margem para retaliações futuras em outros setores.

Internamente, setores do agronegócio e da indústria de base também pressionam seus governadores a reagirem, diante do que consideram um golpe contra a produção nacional em nome de uma guerra política que ultrapassa fronteiras.

Enquanto o governo Lula tenta contornar diplomaticamente a crise, governadores pressionam o Itamaraty e a Casa Civil por ações mais enérgicas e estratégias de compensação para os setores atingidos. A preocupação maior é com os estados produtores, onde os reflexos do tarifaço devem ser sentidos primeiro, tanto na queda de exportações quanto no aumento de demissões.

Clima de instabilidade
O episódio também reacendeu o debate sobre os limites da oposição política internacionalizada, especialmente quando ela afeta interesses diretos do Brasil. Como observou Eduardo Leite:

“Naturalmente, a tentativa de interferência de outro país em nossa soberania a partir dessas tarifas como uma sanção também não pode ser admitida.”

Com a economia em lenta recuperação e os efeitos climáticos ainda sendo sentidos em estados como o próprio Rio Grande do Sul, a nova crise pode piorar os indicadores de renda e emprego, tornando ainda mais delicada a situação dos governadores — muitos deles em busca da reeleição ou de voos nacionais em 2026.

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