A Petrobras anunciou ontem alteração no preço, nas refinarias, da gasolina e do diesel, que passará a vigorar amanhã. A gasolina terá redução de 4,5% e, o diesel, em 15%. Na bomba, apenas o diesel receberá o repasse e ficará mais barato. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que o ajuste levou em conta perspectivas futuras em relação aos preços do petróleo no mercado internacional, além das variações do câmbio. Ele acrescentou que a decisão leva em conta também aspectos macroeconômicos do país.
“No Brasil, não seguiremos as variações diárias do preço do petróleo, mas a economia brasileira não pode se descolar do mercado internacional. E como tal, não podemos manter, no longo prazo, o preço doméstico distinto do internacional”, afirmou. Ele acrescentou que a decisão é econômica, e não leva em conta aspectos políticos, e negou que a decisão vise melhorar a imagem da empresa às vésperas da instalação da CPI da Petrobras pelo Senado.
A queda só vale para as refinarias, ou seja, não é aplicada diretamente às distribuidoras ou postos, que têm a liberdade de definir suas alterações e repasses ao consumidor. A estatal esclareceu que os preços da gasolina e do diesel não incluem os tributos federais Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS.
A última mudança de preços nas refinarias anunciada pela Petrobras ocorreu em maio do ano passado. Na ocasião, a gasolina ficou 10% mais cara e o diesel, 15%. Para o consumidor final, porém, não houve mudança naquela ocasião, uma vez que o governo baixou a Cide. Agora, com a redução do preço dos derivados, o Ministério da Fazenda anunciou que a elevação do imposto em R$ 0,05/litro (gasolina) e R$ 0,04/litro (diesel).
Com tal medida, a alíquota da Cide aplicada à gasolina passará de R$ 0,18/litro para R$ 0,23/litro e a aplicada ao diesel de R$ 0,03/litro para R$ 0,07/litro. O ministério informou que, no caso do diesel, “restaura-se a alíquota vigente até 30 de abril de 2008, quando a Petrobras anunciou elevação no preço de 15%”. “Para a gasolina, a alíquota não foi restaurada ao valor do ano de 2008 (quando a empresa elevou o preço deste combustível em 10%) para evitar que isso gerasse elevação de preço ao consumidor final”, comunicou.
Na bomba, não haverá diferença no preço da gasolina para o consumidor, por conta da elevação da Cide. Já no caso do diesel, mesmo com o aumento da Cide, a redução do preço praticado pela Petrobras fará com que o preço pago pelas distribuidoras de combustíveis sofra redução média de 10,6%, o que significaria queda no preço ao consumidor final, em média, de 9,6%, já considerando o impacto da elevação da mistura do biodiesel de 3% para 4% a partir de 1º de julho.
Folha
