Fim da escala 6X1: Especialista paraibano avalia prejuízos da PEC para o setor produtivo: “Estamos competindo com o mundo”

A polêmica em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, com seis dias de trabalho e um de folga, é algo que vem dividindo muitas opiniões e quem analisou essa questão foi o presidente do Conselho Regional de Economia da Paraíba (Corecon-PB), Celso Mangueira. Para ele, essa PEC de autoria da deputada Érika Hilton que já alcançou o número de assinaturas para entrar em discussão na Câmara, traz algumas preocupações como à concorrência internacional.

Segundo a proposta, ela reduza carga horária de trabalho de 44 para 36 horas semanais, e uma escala 4×3 no lugar da escala 6×1. “Penso que precisamos entender que estamos competindo com o mundo, e isso inclui China e outros países já em situação mais desenvolvida, além de países que não têm tanto limite e proteção que temos. Nós temos aí uma situação de encargos que incide sobre salários do trabalhador, que onera muito o custo do empregado”, disse Mangueira ao destacar ainda que a questão da produtividade. “Outro aspecto é que a nossa produtividade é de 20% de um trabalhador norte-americano. E se formos comparar aos países mais avançados, a situação é pior ainda. Inclusive, nossos vizinhos na América Latina também superam muito a nossa produtividade. Creio que, antes de reduzir a carga horária, precisamos ser mais produtivos, melhorar a questão da profissionalização do trabalhador, e isso exige um trabalho longo”, afirmou.

Ainda de acordo com o presidente da Corecon-PB, caso aprovada e sancionada a questão da redução da carga horária vai encarecer os nossos custos internos e que, embora compreenda a necessidade de melhorias para o trabalhador, acredita que há algumas questões a serem analisadas primeiro. “É lógico, se pensarmos no bem-estar do empregado, uma escala menor seria muito bem-vinda. Contudo, a situação do país requer uma melhoria da produtividade do trabalhador, inclusive uma melhoria dos encargos sociais. Um trabalhador que recebe R$ 1,5 mil, ele vai representar para a empresa cerca de R$ 2,6 mil. Então, tem muito o que pensar antes de reduzir uma escala, como melhorar o ambiente de negócio, tanto para o trabalhador como para os segmentos produtivos”, finalizou.

Redação

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