Conselheiros independentes do Departamento do Tesouro começam a estudar "seriamente" a possibilidade de que as montadoras americanas GM (General Motors) e Chrysler tenham de ser protegidas sob o "Chapter 11", o capítulo da legislação americana que regulamenta as falências e concordatas, segundo reportagem desta segunda-feira no diário americano "The Wall Street Journal" ("WSJ").

 

Embora seja uma tarefa "delicada", os conselheiros ligados ao governo para lidar com a questão das dificuldades financeiras em que ambas as montadoras se encontram, continua a busca por uma solução que não envolva o recurso à legislação de falência americana. Mesmo assim, "todas as opções continuam sobre a mesa", diz a reportagem, citando uma fonte próxima do processo.

 

"Pessoas envolvidas nas negociações com representantes do governo Obama dizer que a opção pelo ‘Chapter 11’ por parte das duas montadoras preciosa ser seriamente considerada", diz o texto.

 

Segundo o "WSJ", os conselheiros do Tesouro tentam preparar um empréstimo de US$ 40 bilhões para as duas montadoras, no caso de precisarem para continuar a operar enquanto os procedimentos para entrar no "Chapter 11" são debatidos.

 

Na semana passada, as duas empresas apresentaram seus planos de reestruturação ao Congresso, como contrapartida pela ajuda de US$ 17,4 bilhões oferecida a ambas em dezembro do ano passado. As duas empresas solicitaram uma quantia suplementar –US$ 5 bilhões para a Chrysler, que já obteve US$ 4 bilhões, e até US$ 16,6 bilhões para a GM, que já conseguiu US$ 13,4 bilhões.

 

A GM, além disso, anunciou planos de cortar até 47 mil funcionários de suas fábricas em todos os países, 26 mil deles, fora dos Estados Unidos, e fechar cinco fábricas no país. A Chrysler, por sua vez, planeja cortar 3.000 postos de trabalho e suspender a produção de três modelos, além de estudar uma parceria com a italiana Fiat.

 

As vendas da GM tiveram queda de 10,8% em 2008, com a montadora perdendo pela primeira vez na história a liderança em vendas no mercado automobilístico mundial para a rival japonesa Toyota Motor. A GM vendeu, no ano passado, 8,35 milhões de unidades, contra 9,37 milhões em 2007. A Toyota, por sua vez, viu uma queda de 4% em suas vendas em 2008, em relação ao ano anterior, com 8,97 milhões de unidades.

 

O executivo-chefe da GM, Rick Wagoner, disse, segundo o "WSJ", que os cenários de uma eventual concordata da empresa são "arriscados" e "caros" e só serão buscados como último recurso. "Ainda não tivemos discussões profundas com o governo (…) Eles nos disseram para nos reunirmos e discutirmos o assunto. Fizemos isso no plano de viabilidade da GM, por isso acho que podemos entrar no assunto do financiamento."

 

Risco

Na opinião de analistas, mesmo com as ajudas do governo, GM e Chrysler ainda correm risco de falência. Michelle Krebs, analista do escritório Edmunds, especializado no setor automotivo, disse que mesmo com os bilhões de dólares já recebidos e solicitados, as duas empresas "ainda não terão resolvido seus problemas".

 

"Em que medida as montadoras vão conseguir negociar com todos os parceiros fora de um tribunal de falências?", questionou.

 

O analista Greg Lemos Stein, analista da Standard & Poor’s, disse que "as concessões pedidas aos sindicatos, aos credores e aos fornecedores de equipamentos, estão longe de serem ganhas". Já o analista Douglas McIntyre, do site de análise financeira 247WattSt, um cheque de Washington pode até afastar o fantasma de uma crise de liquidez no curto prazo, mas não o risco de falência. "Fundos suplementares não garantirão às montadoras uma volta ao equilíbrio se as vendas de carros continuarem despencando", afirmou.

 

"O problema é que o mercado automotivo e a economia continuam caindo. Enquanto a situação não mudar, não haverá recuperação", acrescentou Krebs.

 

Saab

Na sexta-feira (20), a montadora sueca Saab, unidade da GM, apresentou declaração de insolvência, mas informou que vai manter a produção por enquanto, à medida em que se reorganiza para tornar a empresa atrativa para algum comprador.

 

"Exploramos e vamos continuar explorando todas as opções disponíveis para financiar e/ou vender a Saab, e ficou determinado que a reorganização formal seria a melhor forma de criar uma entidade verdadeiramente independente que esteja pronta para investimento", informou o diretor-gerente da Saab, Jan-Ake Jonsson, em um comunicado.

 

A insolvência se caracteriza pela incapacidade de uma pessoa ou empresa de pagar seus compromissos. Caracterizada a insolvência, fica aberto o caminho para que, independentemente de qualquer pedido formal por parte de credores, seja decretada a falência.

 

A marca procura comprador há um ano. A Saab, que no ano passado produziu cerca de 94 mil veículos, tem 4.100 funcionários na Suécia, principalmente na unidade de produção de Trollhattan (sudoeste do país).

 

Folha Online

 

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