Confirmadas as previsões de que a Selic chegue a 9,5% ainda em 2009, feitas por Bradesco e Itaú após a divulgação do PIB de 2008, o Brasil terminará este ano com juro real da ordem de 5% ao ano, patamar de outros países emergentes, como México e alguns asiáticos antes do agravamento da crise, informa Toni Sciarretta em reportagem na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal). O juro real de 5% leva em conta a previsão de inflação de 4,45%, como constava na última pesquisa do BC com os bancos.

Até então, o país só teve taxas reais tão baixas -ou negativas- em períodos de hiperinflação, quando os preços subiam mais rápido do que a indexação da dívida pública.

A crise global teve como subproduto ajudar o Brasil a derrubar a taxa real de juros, que desconta a inflação projetada em 12 meses, para um dos menores patamares experimentados durante o período de estabilidade. Com a redução ontem na Selic [taxa básica], o país passa a ter juro real de 6,5% ao ano, segundo a consultoria UpTrend -só perde para maio de 2008 (6,4%), quando a Selic também estava em 11,25% e a inflação dos alimentos não preocupava.

Corte

Com o agravamento da crise econômica, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, acelerar a queda dos juros e reduziu a taxa básica em 1,5 ponto percentual, cortando a Selic de 12,75% ao ano para 11,25% ao ano.

Trata-se do segundo corte de juros desde a piora na crise, a partir de setembro. Em janeiro, o Copom reduziu a Selic de 13,75% para 12,75% –a próxima reunião será nos dias 28 e 29 de abril. A redução de hoje é a maior desde novembro de 2003, quando a taxa caiu de 19% para 17,50% ao ano. Com essa nova redução, a Selic voltou ao nível em que estava em março de 2008, o menor da história.

A medida foi recebida com certa insatisfação pela indústria, comércio e centrais sindicais. Os setores defenderam cortes maiores e mais frequente na taxa para evitar uma recessão no país e estimular o crescimento.

 

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