O dólar voltou a subir com força nesta sexta-feira (30), terminando o dia com alta de 1,5%, a R$ 1,757 para a venda. Mesmo com essa valorização, o dólar acumula queda de 0,85% em outubro. No ano, a baixa é de 24,7%.
O dólar tem reagido mais à turbulência internacional do que a aspectos internos. A principal dúvida do mercado é se a volta do crescimento nos Estados Unidos, confirmada na quinta-feira (29), pode se sustentar sem os estímulos concedidos pelo governo.
Outro motivo de preocupação está no setor financeiro, origem da crise. Nesta sexta-feira (30), um analista da Calyon previu baixas contábeis de US$ 10 bilhões no Citigroup no quarto trimestre, o que reascendeu o alerta em um setor que tenta se mostrar em boas condições.
Análise
De acordo com analistas, o mercado de câmbio deve seguir alarmado com qualquer sinal vermelho vindo do exterior. Mas, se a situação se arrefecer, os fatores de longo prazo continuam a pesar a favor da queda do dólar.
"Os fatores técnicos são favoráveis à valorização do real, e o fluxo da conta financeira e de capital continua firme", avaliou o banco francês BNP Paribas em nota. "Na próxima semana, entre emissões de bônus e ofertas de ações, teremos cerca de US$ 2,5 bilhões a serem liquidados."
Em outubro, o país registrou até o dia 23 a entrada líquida de quase US$ 13 bilhões, mais da metade de todo o fluxo positivo do ano. Isso suscitou a reação do governo com a cobrança de 2% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na entrada do capital estrangeiro em ações e renda fixa, em uma tentativa de frear a queda do dólar.
Incertezas
O imposto teve pouco efeito, na avaliação da maior parte dos profissionais de mercado, mas criou alguma incerteza a respeito de outras medidas similares. Mesmo assim, Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil, avalia que a tendência do dólar é de queda.
"(O IOF) cria uma incerteza, e isso diminui o risco de apreciação (do real). Mas a trajetória está dada, não é afetada", disse, acrescentando que a taxa de câmbio pode voltar a ameaçar o nível psicológico de R$ 1,70.
Gabriel Aguilera, operador de câmbio da corretora Flow, tem opinião semelhante. "O dólar continua com fluxo, e o real com uma demanda muito grande. Se o mercado acalmar essa volatilidade, tende a vir dinheiro para ativos com maior risco", avaliou.
G1
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