A crise atingiu o varejo brasileiro e impediu que as vendas do comércio registrassem volume recorde em 2008, segundo avaliação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De janeiro a setembro, antes do agravamento do quadro econômico mundial, a taxa de crescimento do volume de vendas no comércio era de 10,4% frente a igual período no ano anterior.

 

A tendência, segundo o responsável pela PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), Reinaldo Pereira, era que o incremento das vendas ficasse acima dos 10%, superando os 9,7% observados em 2007, recorde da série iniciada em 2001.

 

"A desaceleração no último trimestre mostra o reflexo da crise no varejo. O resultado ficou abaixo de 2007 por conta do resultado de outubro a dezembro", afirmou.

 

As vendas do comércio registraram alta de 9,1% ao longo de 2008. No último trimestre, houve queda acumulada de 2,3% ante o terceiro. Na comparação com igual trimestre do ano anterior, a expansão foi de 6%. Nessa relação, foi o pior quarto trimestre desde 2005.

 

O resultado de dezembro indica queda de 0,3% frente a novembro. Na comparação com igual mês no ano anterior, as vendas no varejo cresceram 3,9%, pior resultado para o último mês do ano desde 2003, quando a alta não havia passado de 3,2%.

 

Reinaldo Pereira lembrou que setores ligados à concessão de crédito têm apresentado maiores reflexos nas vendas. Caso, por exemplo, do segmento de móveis e eletrodomésticos, que teve queda de 3,7% em dezembro, frente ao mês anterior.

 

Se forem avaliadas as vendas por trimestre, na comparação com igual período no ano anterior, constata-se uma mudança no patamar de vendas do setor. De janeiro a setembro, o volume comercializado de móveis e eletrodomésticos vinha apresentando alta superior a 17%. No quatro trimestre, o crescimento não passou de 7,7% na relação com os últimos três meses de 2007.

 

"Os setores mais sensíveis ao crédito vêm sendo mais afetados. Existe também o fator da confiança do consumidor, que diante da crise e do anúncio de demissões, pode estar se precavendo mais e evitando se endividar", explicou Pereira.

 

No comércio varejista ampliado, que engloba as vendas de veículos e motos e materiais de construção, o IBGE verificou recuperação nas vendas de veículos, motos e peças, com alta de 3,5% frente a novembro, depois de duas quedas consecutivas.

 

Folha Online

 

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