Categorias: Economia

Crise faz clubes tradicionais liquidarem títulos

O diálogo mais parece venda de telemarketing.

– Era caro sim, mas agora está super em conta. O título custa R$ 31.590, mas está em promoção por R$ 17 mil. Quantos anos você tem? Ah, menos de 30 anos! Então sai por R$ 8.500! E dá para dividir também…

Bastam cinco minutos de uma conversa cheia de pontos de exclamação e as facilidades só se multiplicam para quem quer se filiar a um dos mais tradicionais clubes desportivos de São Paulo, outrora reduto da elite paulistana. Tem filhos? A mensalidade ganha desconto. Não conhece ninguém do clube para pedir indicação? Sem problemas, é só dar um pulinho lá no domingo que é possível conseguir facilmente todas as assinaturas necessárias.

Em tempos de crise econômica, de condomínio-clube, de academias que de tão grandes parecem shoppings e do aumento de opções de lazer na cidade, os clubes de São Paulo vivem um momento tão delicado quanto a Bolsa de Valores. A população de sócios chega hoje a 5 milhões de pessoas nos clubes paulistas, mas já foi de quase 7 milhões. O assunto é quase um tabu para a maioria dos dirigentes, uma vez que os clubes dependem muito de seu status. Alguns falam em descontos, outros em desburocratização, outros em pechinchas. Mas a verdade é que, para muitas entidades que precisam retomar urgentemente seus tempos áureos, só falta mesmo a placa de SALDÃO em maiúsculas bem na porta.

"As promoções têm sido constantes, mas não se trata de ?fim de feira?, e sim de reduções para atrair novos associados", afirma Armando Perez Maria, diretor executivo do Sindicato dos Clubes do Estado (Sindiclube). "Eles estão se tornando viáveis para um público maior."

Em maior ou menor grau, a situação é vivida em praticamente todos os 3.562 clubes do Estado – 712 deles na capital. E são essas liquidações que têm conseguido, nos últimos anos, manter estável o número de associados. "Houve uma grande queda, de cerca de um terço dos associados, entre 1995 e 2005", afirma Perez Maria. "De lá para cá, a situação está estabilizada."

A Hebraica São Paulo, por exemplo, cujo título custa normalmente R$ 31.590, está em promoção por R$ 17 mil. Para casal com até 30 anos, sai por R$ 8.500. Barganha parecida acontece no Esporte Clube Sírio: o título, que custa R$ 32 mil, pode ser comprado por R$ 5 mil, caso o novo sócio seja indicado por um dos 120 conselheiros. Já o Clube Atlético São Paulo (SPAC), o mais antigo da capital, está distribuindo flyers na vizinhança para atrair a clientela. Tudo pela sobrevivência.
 

Estadão

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