Categorias: Economia

Crise avança com desemprego e já custa US$ 1,9 trilhão

Agravada por novos recordes no desemprego, por intensa onda protecionista e com gigantes financeiros ainda à beira da falência, a maior crise mundial em 80 anos já tem um preço mínimo: US$ 1,9 trilhão.

Esse é o valor que os 21 maiores países do mundo vão despejar a fundo perdido em investimentos públicos para estimular suas economias. A cifra é um recorde absoluto em termos de incitamento fiscal conjunto e equivale à totalidade do que o Brasil produz em riquezas durante um ano e meio.

Os gastos públicos em infraestrutura, seguro-desemprego e subsídios, entre outros, elevarão os déficits das principais economias aos níveis da Segunda Guerra (1939-1945). Eles não contabilizam outros aportes nos bancos e empresas -que também não entram na conta do déficit, pois são feitos mediante garantias "reais" em ações ou títulos.

Mas, se a empresa socorrida pelo Estado vier a quebrar definitivamente, a perda eventualmente será contabilizada.

Só nos Estados Unidos, a estimativa é que essas injeções adicionais alcancem mais de US$ 1 trilhão. Desse total, US$ 335 bilhões já foram direcionados a quase 300 bancos e empresas, sem que o sistema tenha se estabilizado definitivamente. Nesta semana, o Departamento do Tesouro norte-americano anunciará como novas ajudas bilionárias serão empregadas. A hipótese radical da nacionalização de bancos não está descartada.

Nos últimos dias, a crise ganhou nova dinâmica, com pesadas nuvens de más notícias encobrindo poucas réstias de desdobramentos positivos.

Agora, a crise se autoalimenta de mais desemprego e de uma onda "neoprotecionista". Ela se espalha rapidamente e ensaia virar política oficial de governos, dos EUA à Rússia, do Brasil à China e à Índia.

Seu efeito será deprimir ainda mais o comércio global. Por trás do protecionismo há uma imensa preocupação com o desemprego e com insatisfações políticas e sociais. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) prevê 51 milhões de novos desempregados neste ano se o quadro se deteriorar.

Em meio às más notícias, o desdobramento positivo mais significativo até aqui foi a recuperação do chamado mercado de "bonds" das empresas norte-americanas. São títulos vendidos pelas companhias em troca de remuneração para que elas possam financiar suas atividades no dia-a-dia.

No final de 2008, essas operações travaram, e o Fed (o banco central dos EUA) teve que assumir o papel de comprador de "bonds". Em janeiro, os investidores finalmente voltaram a esse mercado nos EUA, ao adquirir um total de US$ 373 bilhões.

Mas investidores privados e bancos só se arriscam a comprar papéis de empresas de primeira linha. Nos países emergentes, milhares de companhias continuarão encontrando dificuldades crescentes para se financiar em 2009.

EUA

Origem e epicentro da crise, os EUA têm pela frente problemas que ainda devem piorar antes de melhorar. Os principais são a queda nos preços dos imóveis, que lastreiam ativos "tóxicos", e a fragilidade do sistema financeiro. Além do novo pacote fiscal, previsto em US$ 780 bilhões, os EUA darão uma cartada fundamental quando anunciarem outro plano de socorro bancário. Cerca de US$ 335 bilhões já foram transferidos, mas o sistema segue frágil.

 América Latina

A queda do crescimento global e nos preços das commodities e o desaquecimento interno contiveram a inflação na América Latina e abriram espaço para que os BCs sejam mais agressivos no corte de juros. México, Colômbia e Brasil agiram nesse sentido, e há expectativa de que acelerem as reduções. A aposta é que o mercado interno compense parte da queda na demanda global. Mas a expansão prevista para este ano na região é de apenas 1,1%.

Brasil

Além de ter iniciado um processo mais agressivo de corte no juro básico (a última redução foi de um ponto percentual, para 12,75% ao ano), o Brasil reforçou o caixa do BNDES para contornar a diminuição do financiamento externo e interno. Do pacote estatal de R$ 189,1 bilhões anunciado até agora, o banco levou R$ 119 bilhões. A avaliação é que a maior dificuldade das empresas não diz respeito à demanda, mas a condições de financiamento.

Europa

Oito países já anunciaram pacotes fiscais, totalizando US$ 254 bilhões. A crise afeta de modo desigual a região. Os mais atingidos são os países que não tinham padrões econômicos como o alemão ou o francês até a introdução do euro, em 1999. Com a moeda, Espanha, Portugal, Irlanda e Grécia, entre outros, endividaram-se para crescer. Agora, seus Estados e empresas pagam altas taxas na captação de recursos em comparação à França e à Alemanha.

Ásia

A China lançou um pacote fiscal de US$ 586 bilhões, ou 7% de seu PIB. Mais de 20 milhões de ex-operários estão retornando ao campo após a queda da demanda por produtos chineses no mundo. O crescimento chinês neste ano deve cair à metade do de 2007. A Índia também já sofre forte contração. A indústria cresce hoje ao ritmo anual de 2,4%, ante 8,5% há um ano. O país sofre com a diminuição tanto das exportações quanto do fluxo de capital estrangeiro.

Japão

Entre os países avançados, o sistema financeiro do Japão foi o menos afetado pela crise, e os bancos foram contidos no aperto do crédito a empresas e consumidores. Mas a segunda maior economia do mundo sofre os efeitos da queda da demanda global. Milhares de fornecedores de componentes a grandes exportadoras são afetados. O mercado interno também não mostra força para crescer o suficiente a fim de compensar a queda nas vendas externas.

Folha

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