"É importante que o FMI adapte seus instrumentos para as necessidades da crise", disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Tim Geithner. "Queremos ver uma governança global mais justa." Ao ser questionado se os EUA abririam mão do veto que possuem no FMI, ele não respondeu diretamente e disse apenas que o país "vai olhar para tudo que é necessário".

 

Segundo o presiente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, o valor dos novos aportes no órgão será decidido no encontro do grupo em abril. "Nós não chegamos a números aqui", afirmou durante o encontro. "Agora, evidentemente as decisões específicas sobre números serão tomadas no encontro dos chefes de Estado".

 

Por cima dos problemas

Os ministros essencialmente passaram por cima de divergências em relação à ênfase e urgência a ser dada aos gastos públicos como medida anti crise de um lado e regulação de outro.

Não houve também uma posição mais clara dos Estados Unidos sobre como o país planeja colocar em ordem a massa falida dos bancos, o que muitos dizem ser essencial para fazer a economia mundial andar novamente.

O grupo e o restante do G20 equivalem a mais de 80% da produção mundial, que deve cair neste ano mais do que em qualquer outro ano desde a década de 1930, com a crise financeira que começou nos EUA em 2007 tendo prejudicado a confiança, a atividade, o comércio e o emprego em todo o mundo.

 

Ameaça protecionista

Mais cedo, os países do chamado Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) que participam da reunião divulgaram um comunicado manifestando preocupação com a ameaça "cada vez mais real" do protecionismo e pediram aumento dos fundos do FMI.

"Estamos conscientes de que o protecionismo é uma ameaça cada vez mais real para a economia mundial", afirmaram os representantes dos quatro países.

"Devemos evitar o protecionismo sob todas as suas formas e não permitir que perturbe a economia", continuaram. "Fracassar neste aspecto seria correr o risco de reproduzir os erros do passado, que conduziram à Grande Depressão dos anos 1930, quando os grandes países se curvaram sobre si próprios e deixaram o comércio mundial naufragar", acrescentaram.

Sobre o FMI (Fundo Monetário Internacional), o comunicado diz que "consideramos que os recursos do FMI são claramente inadequados; eles devem ser aumentados significativamente de diversas maneiras", afirmaram.

 

Força dos emergentes

A necessidade de ampliar a participação dos emergentes na governança global Também foi reconhecida hoje pelo G-20. "É preciso reconhecer a realidade", disse o ministro de Finanças do Reino Unido, Alistair Darling. Segundo ele, diversas economias tiveram crescimento muito grande nos últimos anos e merecem mais voz nas instituições financeiras internacionais. "Elas querem sentar na mesma mesa."

Darling também entrou no coro e afirmou que é preciso combater todas as formas de protecionismo, já que o seu retorno seria "desastroso". "Não podemos deixar isso ocorrer em nenhuma circunstância."

Os ministros de Economia e Finanças do G20 (Grupo dos Vinte, os países mais ricos e os principais emergentes) reunidos neste sábado (14) na Inglaterra afirmaram que sua "principal prioridade" é restaurar o crédito. A reunião serviu para preparar o terreno para o encontro decisivo do grupo, marcado para o início de abril em Londres.

Além disso, comprometeram-se a apoiar as economias emergentes para restituir os fluxos de capital, mostrando-se ainda disposto a fazer esforços orçamentários para restaurar o crescimento econômico, ação esta que deve ser avaliada pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).

O FMI gastou quase US$ 50 bilhões ajudando países do Leste Europeu nos últimos meses e está pedindo que seus fundos de auxílio sejam duplicados para US$ 500 bilhões, enquanto o Banco Asiático de Desenvolvimento também espera mais recursos.

G1

Total
0
Compartilhamentos
Deixe seu Comentário