Protagonistas da disputa presidencial no segundo turno, as campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) apresentaram ontem um saldo devedor de R$ 37,3 milhões. A contabilidade petista fechou com um rombo de R$ 27,7 milhões, e a tucana, de R$ 9,6 milhões. Por outro lado, a campanha da senadora Marina Silva (PV) não teve déficit. As planilhas com os dados oficiais da prestação de contas dos candidatos e dos comitês financeiros foram enviadas ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela tesouraria dos partidos.
A partir de hoje, a documentação apresentada pelos candidatos será submetida ao pente-fino da equipe técnica do tribunal. Pela legislação, o plenário do TSE tem até 9 de dezembro para julgar as prestações de contas. Devido ao volume de documentos, o órgão anunciou a criação de uma força-tarefa formada por 16 servidores para analisar o balanço da presidente eleita.
O PT arrecadou ao todo R$ 148,8 milhões, mas os gastos alcançaram R$ 176 milhões. Pelo lado do PSDB, a receita foi de R$ 120 milhões contra despesas de R$ 129,6 milhões. Os dois partidos já informaram ao TSE que vão assumir as pendências milionárias. Pelo acordo, a dívida deverá ser quitada em 12 parcelas.
Como ocorre nas eleições, as doações de bancos e empreiteiras estão entre as mais polpudas. Entre os bancos que figuram como doadores de Dilma estão o ABC Brasil, Bomsucesso, BTG Pactual, Fator S.A, Santander e o Sofisa. No caso das empresas, o destaque na prestação de contas petista são as doações das construtoras Camargo Correa, Andrade Gutierrez, Norberto Odebrech, OAS Ltda., Queiroz Galvão S.A, Galvão Engenharia, além de Grendene e Bombril.
No caso do PT, no entanto, o grosso das doações veio dos cofres do próprio partido. A legenda repassou para a campanha de Dilma R$ 20 milhões dos R$ 130 milhões que arrecadou por conta própria.
Além das tradicionais doações das empreiteiras e bancos, a campanha de Serra foi irrigada pela Arcelor Mittal, Companhia Brasileira de Metalúrgica e Mineração, Ambev, Cristalia Produtos Químicos Farmacêuticos, Cosan Açúcar e Álcool e Hypermarcas. O nome do bilionário Eike Batista, proprietário da MMX, é citado nas duas prestação de contas. Na condição de pessoa física, ele repassou R$ 1 milhão para cada campanha.
Prazo
Conforme dados do TSE, a despesa total da campanha deste ano para todos os cargos ultrapassará a cifra de R$ 3 bilhões. Em 2006, os candidatos gastaram cerca de R$ 1,9 bilhão e, em 2002, as despesas ficaram em R$ 1,1 bilhão. Ontem foi o prazo final para a entrega da papelada contábil dos dois candidatos que participaram do segundo turno, conforme prevê a legislação eleitoral. O descumprimento da regra pode gerar problemas sérios que vão desde processos judiciais por abuso de poder econômico até a perda de direito de receber recursos públicos do fundo partidário.
Correio Braziliense








