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BC sinaliza que a escalada na taxa de juros terá continuidade

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Banco Central sinaliza que a escalada na taxa de juros terá continuidade

Na primeira reunião do governo Dilma Rousseff, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu início a um ciclo de arrocho que promete ser longo. Marcando a estreia do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, o colegiado de diretores decidiu ontem elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. A medida, já esperada por grande parte dos analistas, visa conter a inflação, que no ano passado fechou em 5,91%, e que, em 2011, mantém fôlego total, ameaçando o poder de compra dos brasileiros.

Depois de permanecer por mais de seis meses em 10,75%, a Selic retorna ao mesmo nível de março de 2009. O remédio é amargo, porém, necessário, justificou o BC em nota oficial: “O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas”. O aperto não deverá avançar muito além daquilo que o mercado projeta para as três primeiras reuniões do ano — um avanço de 1,5 ponto percentual. O principal recado do BC será dado na próxima semana, com a publicação da ata da reunião de ontem.

Roberto Padovani, estrategista-chefe do Banco West LB, disse que o movimento do Copom pode ser traduzido com facilidade. “Entendo que ele quis dizer exatamente isso: que não passará muito do 1,5 ponto e que será cauteloso no ciclo de elevação. Podemos tirar a conclusão ainda de que ele manterá nas próximas reuniões o ritmo de 0,5 p.p”, explicou.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, no entanto, o cenário de inflação em alta pode obrigar a autoridade monetária a pesar ainda mais a mão nas próximas decisões. “Dados os fatores como estão, com alimentos influenciando negativamente e sem muitas esperanças de que os choques diminuam em horizonte mais curto de tempo, pode ser que 1,5 ponto no primeiro semestre seja insuficiente e force novas altas”, avaliou. No ano passado, os preços de itens alimentícios sofreram reajuste médio de 10,39% e representaram nada menos do que 68% de toda a inflação do país.

Apesar de significativa, a alta da Selic, sozinha, tende a não ser suficiente para frear o consumo. Se quiser inibir o ímpeto das famílias em comprar, o governo terá de lançar mão de mais ferramentas macroeconômicas. A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou expansão de 9,9% no volume de vendas em novembro do ano passado, em relação ao mesmo período anterior. Na mesma comparação, o montante de crédito concedido a pessoas físicas avançou 20,8%, enquanto para as empresas o bolo cresceu 20,9%, conforme registrou o Banco Central.

Expectativa
Com tantos sinais nebulosos pela frente, alguns economistas advertem que ainda é cedo, mesmo para o Banco Central, para determinar o ajuste total da Selic. Durante o primeiro trimestre do ano, a postura do colegiado deve ser observada com lupa. “O avanço provável de 1,5 ponto percentual que esperamos nas três primeiras reuniões do ano é uma conta sujeita a chuvas e trovoadas. Ainda há muita incerteza em relação a quanto o cenário internacional aumenta as pressões e também no que diz respeito ao mercado doméstico. Essa dúvida vai permanecer, de certa forma, até o primeiro relatório trimestral de inflação”, disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. Parte dos analistas acredita que a Selic encerre o ano em 13,75%, antes de estacionar novamente.

Além das incertezas em relação ao repique de preços, pesam sobre a decisão tomada pelo Copom os instrumentos de política monetária aplicados pelo Banco Central no fim do ano passado — como a retirada de R$ 61 bilhões do mercado. A drenagem foi feita por meio da ampliação do recolhimento compulsório exigido dos bancos. Fora de circulação, o dinheiro retido contribui para a elevação de juros por parte das instituições financeiras, que cobram mais para emprestar, uma vez que estão com menos disponibilidade de recursos. As taxas mais altas desestimulam o consumidor a tomar novos financiamentos, suavizando as pressões sobre os preços.

Correio Braziliense

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