O Banco Central elevou nesta segunda-feira (22) a previsão de déficit nas contas externas, ou seja, o saldo negativo das contas no exterior, de US$ 40 bilhões (cerca de R$ 72 bilhões) para US$ 49 bilhões (R$ 88,2 bilhões) .
Se a estimativa se confirmar, este será o ano com o maior saldo negativo desde o início da série histórica do setor externo do BC, em 1947.
A revisão dos gastos foi feita em virtude dos gastos dos brasileiros em viagens internacionais, além dos gastos com transportes, segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
– Essa nova projeção contempla ainda saldo comercial menor com valores maiores tanto em exportações quanto importações. Esses pontos associados a gastos com juros, relativos às taxas de juros no mercado internacional, fizeram o BC revisar.
Em fevereiro, as transações correntes registraram déficit de US$ 3,3 bilhões (R$ 5,94 bilhões) , o que gerou um saldo negativo de US$ 28,1 bilhões (R$ 50,58 bilhões) nos últimos doze meses, equivalente a 1,66% do PIB (Produto Interno Bruto, ou soma das riquezas produzidas no país).
As transações correntes são a soma do resultado da balança comercial brasileira (resultado de tudo o que o país vendeu e comprou no exterior), além de serviços importados e exportados e as rendas obtidas no exterior por brasileiros ou no Brasil por estrangeiros. O indicador é um dos principais do setor externo brasileiro.
De acordo com a autoridade monetária, o investimento estrangeiro direto no país não será suficiente para cobrir a projeção de saldo negativo.
– O investimento direto voltado para a exportação traz uma perspectiva muito positiva. Vai contribuir para amenizar. Seria bom se tivéssemos o déficit coberto por investimentos diretos, mas isso não deve acontecer.
O resultado de fevereiro é o pior para meses de fevereiro da série em termos nominais. De acordo com o BC, o resultado de fevereiro reflete o saldo da balança comercial, que foi fraco no primeiro bimestre.
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