O Banco do Brasil vem preparando nas últimas semanas um movimento que pode alterar a correlação de forças no setor de seguros brasileiro. O comando do banco decidiu reestruturar toda sua área de seguros e previdência, que hoje tem diferentes parceiros. O objetivo do BB é racionalizar a estrutura e ter apenas um sócio. Segundo EXAME apurou, o banco de investimentos UBS Pactual, contratado pelo BB, procurou nas últimas semanas as maiores empresas de seguros do Brasil e do mundo em busca de interessados na associação. Desde então, essas companhias contrataram assessores financeiros e prepararam suas propostas. Grupos brasileiros como SulAmérica e gigantes estrangeiros como a MetLife estariam entre os potenciais interessados.

De acordo com executivos que participam das negociações, o negócio dificilmente envolverá dinheiro. "O BB não quer levantar caixa", diz um deles. "A idéia é fazer uma troca de ativos com um grande, criar uma estrutura eficiente e, assim, ganhar mais dinheiro com seguros". No limite, as discussões podem caminhar para uma fusão, que criaria um gigante do setor de seguros e previdência. Ainda de acordo com esse executivo, os valores envolvidos dependerão do modelo final da transação. Internamente, os executivos da estatal atribuem à área de seguros e previdência um valor superior a vinte bilhões de reais. Para assessores financeiros de seguradoras procuradas pelo BB, o valor é alto. Negociações em torno do preço acontecerão em fevereiro.

Uma associação atenderia a interesses de BB e de seguradoras que querem crescer no país. Hoje, a área de seguros do banco estatal é considerada confusa, e conta com parceiros como SulAmérica e a espanhola Mapfre (parceira da Nossa Caixa, recém-adquirida pelo BB). Para os executivos do banco, a parceria com um especialista em gestão de seguros aumentaria o potencial de ganhos da estatal no segmento. Já para as seguradoras, a jóia da coroa é o direito de vender seguros na enorme rede agências do Banco do Brasil — são mais de 3150 espalhadas pelo país.

Como as negociações estão em sua fase inicial, porém, é possível que nem sequer avancem. Nos últimos anos, o Bradesco deu demonstrações inequívocas de que é possível, para um banco de varejo, criar uma estrutura vencedora em seguros sem precisar de uma associação com um especialista. Sob o comando de Luiz Carlos Trabuco, a Bradesco Seguros se tornou uma máquina de fazer dinheiro. Hoje, representa 36% do lucro total do banco — e Trabuco acabou sendo escolhido como sucessor de Márcio Cypriano na presidência da instituição. Nas próximas semanas, portanto, o Banco do Brasil decidirá se segue sozinho ou se aceita as ofertas das seguradoras interessadas numa associação. Procurado por EXAME, o Banco do Brasil afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não comentará o assunto.

EXAME

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