O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta semana que haverá energia suficiente para garantir o fornecimento no país em 2013 e que o desconto de 20% na conta de luz começará a ser aplicado ainda em fevereiro deste ano. Entretanto, contrariando o otimismo apresentado pelo ministro, especialistas alertam para o problema a longo prazo.
Segundo o engenheiro eletricista e professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) de Bauru, Luiz Porto, o baixo nível de água nas usinas hidrelétricas pode acarretar em consequências para 2014 – ano em que o Brasil recebe a Copa do Mundo. "Este ano é possível que os recursos não diminuam. Mas e no ano que vem? Se não houver uma atenção especial ao assunto, a problema cairá nas mãos da população", afirma.
As usinas hidrelétricas do Brasil iniciaram o ano com os níveis bem abaixo do normal. No primeiro dia do ano, a de Itumbiara, na região Sudeste, registrava apenas 10,21% de sua capacidade, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Esta é, até agora, a usina com pior nível de água do país. Segundo último balanço do órgão, divulgado nesta sexta-feira (11), apenas 9,45% do reservatório estava cheio.
Porto explica que o período de chuvas começou no final de 2012 e deve seguir até abril. Porém, revela que não dá para prever e confiar que a natureza contribua para a geração de energia para os próximos anos. “Temos que armazenar água para o ano que vem, não podemos contar com a sorte.”
Alternativas
Com a redução dos níveis de água nas usinas hidrelétricas, a solução encontrada pelo governo para garantir a luz na casa dos brasileiros foi utilizar a energia vinda das termelétricas. Os custos desta alternativa não são baixos.
“Não dá nem para comparar o valor da energia vinda da água com a que precisa do gás natural”, diz Porto.
Nesta semana, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann afirmou que o custo mais alto, porém, não vai afetar o desconto previsto para fevereiro.
Questão política
De acordo com Paulo Ribeiro, cientista-político da Unesp em Marília, “há um problema que pode caminhar para um racionamento, embora o governo reitere que não”. E isso, segundo o especialista, traz um incômodo político.
“É preciso que o cronograma seja cumprido do ponto de vista técnico este ano para que este problema, aliado a outros – como um baixo crescimento econômico – não cause graves problemas políticos ao governo em ano de eleição [2014]”, explica.
Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, entretanto, discorda de Ribeiro. Para ele, é importante crer na temporada de chuvas. “Não existe possibilidade de racionamento. Existe um alerta, apenas”, diz o especialista que acredita que o governo tem sido realista. “Há uma crítica politizada e não um problema, de fato”, completa.
Segundo o especialista, a presidente Dilma Rousseff não agiria sem responsabilidade com a questão energética. “Vamos entrar em ano eleitoral, de Copa do Mundo. Não acredito que o governo vai perder o controle neste momento”, finaliza.
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