O segmento de reposição de autopeças tem crescido, em média, 10% desde outubro. O que justifica a expansão é a própria crise no mercado de veículos novos. Quem pensou em trocar de carro, mas não pôde, precisou fazer a manutenção deste veículo, ou seja, trocou freio, filtro, amortecedor, mola etc. A perspectiva para a reposição de peças é tão positiva, que os fabricantes estimam que exista espaço para incrementar em até R$ 1 bilhão o faturamento do segmento em 2009. Notícia boa para quem foi tão prejudicado nos últimos meses.

 

Toda vez que uma crise afetava o mercado interno e inibia a compra de veículos no Brasil, o setor de autopeças corria atrás dos clientes no exterior e conseguia recuperar a lucratividade. Hoje, a situação é bem diferente. A turbulência no mercado brasileiro de veículos, que começou no final de outubro de 2008, foi reflexo de uma turbulência financeira que abalou a indústria automobilística em todo o mundo. Conclusão, fornecedores disputam acirradamente a demanda mundial das montadoras, que agora têm margem de sobra para negociar preços. Assim, para não ficar na mão dos fabricantes de veículos, as empresas de autopeças recorrem ao “plano B”: o segmento de reposição.

Na opinião do presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças), Paulo Butori, o que tais empresas viram em novembro, o auge da crise dos veículos no Brasil, foi uma situação “desesperadora”. Embora, o mercado interno tenha se recuperado com a redução de IPI, as exportações continuam em baixa. A balança comercial do primeiro bimestre de 2009 ficou negativa em US$ 455 milhões. Neste período foram exportados US$ 794 milhões ante US$ 1,249 bilhão de importações. Entre janeiro e fevereiro de 2008, o saldo foi negativo em US$ 336 milhões.

Aumento das importações

E o receio é de o saldo negativo da balança comercial ficar ainda maior, por causa da desvalorização do dólar prevista para este ano, somada à ociosidade das empresas estrangeiras, que, como as brasileiras, precisam de mais clientes. “O dólar não se sustenta neste patamar, vai cair ao longo do ano”, observa Butori. “A importação de peças vai depender das matrizes e do câmbio que virá”, acrescenta o presidente do sindicato, sobre uma possível “desnacionalização” de produtos no Brasil.

Se a previsão for confirmada, a importância do segmento de reposição será ainda maior. De acordo com balanço do Sindipeças, em 2008 o mercado de reposição ficou com 13,5% do faturamento total do setor, de R$ 72 bilhões. A previsão inicial, feita em agosto do ano passado, era de que o setor chegasse a 12% desse total. Embora o faturamento pelas vendas às montadoras tenha chegado a 67%, o volume correspondeu ao período do boom da indústria automobilística nacional, que durou até setembro, e garantiu o crescimento de 5,4% do faturamento das autopeças.

Como o aumento das importações afetará tanto as compras das montadoras quanto das oficinas de reparação, o Sindipeças defende que o governo adote alguma medida que “monitore” a entrada de produtos de outros países e controle a avalanche de importados no setor. Segundo Paulo Butori, a sugestão do sindicato é que o Brasil adote uma licença antecipada, com prazo de 60 dias para adequação das empresas.

Queda nos investimentos

A queda das vendas de autopeças e o cancelamento de contratos, principalmente, no exterior deverão forçar a redução de 50% dos investimentos do setor no país, o que representa US$ 800 milhões, ao contar a metade dos US$ 1,6 bilhão investidos no ano de 2008. No ano passado, o dinheiro injetado na cadeia de autopeças representou expansão de 15,5% em relação ao aplicado em 2007.

Segundo Paulo Butori, as matrizes das multinacionais – principalmente as americanas, que representam 30% das empresas associadas do Sindipeças – ainda avaliam onde realmente vale a pena investir. “Investimentos considerados estratégicos para as matrizes serão mantidos”, diz.

Sobre a restrição de investimentos, o sindicato também atribui as dificuldades à burocracia de conseguir crédito no Brasil, embora o Banco do Brasil tenha disponibilizado ao setor R$ 3 bilhões e a Nossa Caixa, R$ 1 bilhão. “Tudo que se pede nos bancos é um absurdo. Ninguém viu esse dinheiro até agora”, reclama o presidente da entidade.

 

G1

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