Depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, o presidente da Embraer, Frederico Curado, informou que as cerca de 4 mil demissões anunciadas na empresa não serão revertidas. Havia uma expectativa em torno do assunto porque Lula teria ficado "indignado" com a demissão em massa, mas, segundo Curado, o presidente e todo o governo compreendem que a Embraer sobrevive principalmente da venda de aviões para outros países e, como estas vendas caíram cerca de 30% por causa da crise, as demissões foram inevitáveis.

 

"Nos só poderíamos voltar atrás se houvesse uma retomada das encomendas, o que não está previsto a curto prazo. (…) Nós tivemos uma redução da ordem de 30% das encomendas, seja por cancelamentos, seja por adiamento de entregas", disse ele. "O restabelecimento (das demissões) seria, como será, quando o mercado internacional se recuperar. Nós não temos uma visão clara de quando isso vai acontecer."

 

Segundo ele, diante da realidade de que as demissões serão mantidas, o presidente teria feito um apelo para que a empresa pelo menos aumentasse os benefícios aos servidores que perderam o emprego. "O presidente está muito pesaroso, evidentemente, com essa situação. Ele nos fez um apelo, nós vamos considerar esse apelo", disse. "A empresa está cobrindo por um ano as despesas integralmente dos planos médicos dos demitidos e suas famílias. O presidente nos solicitou que nós avaliássemos a possibilidade de fazer algum apoio adicional às pessoas que foram demitidas. Vamos analisar isso."

 

O presidente da Embraer explicou que o governo tem feito tudo o que está ao seu alcance para evitar demissões, mas, na visão dele, nada pode ser feito diante da realidade de que outros países não estão em condições de comprar aviões da empresa por causa da crise.

 

Curado ainda garantiu que existe a possibilidade de a Embraer parar de receber benefícios via Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) por causa das demissões. Ele explicou que atualmente a participação do BNDES nos negócios da empresa é para conceder financiamento para os interessados em comprar os aviões da Embraer.

 

Curado deixou claro que não há nada que o governo possa fazer para auxiliar a Embraer tendo em vista que a empresa depende de demanda internacional. Ele lembrou que em setembro 2001, após o ataque terrorista às torres gêmeas em Nova York, a empresa enfrentou uma redução nas encomendas e teve que demitir cerca de 15% de seus funcionários.

 

Curado explicou que, com essa redução de encomendas da ordem de 30%, a empresa espera uma queda de receita de cerca de U$ 1 bilhão para os próximos anos e isso foi explicado ao presidente Lula. "Ele (Lula) teve um entendimento claro de que a causa das demissões efetivamente não está no Brasil. O Brasil está resistindo bem melhor do que outros países à crise, mas os mercados principais da Embraer são os países desenvolvidos, então o impacto é direto na nossa atividade industrial", disse ele, ressaltando que "não está nos planos da empresa" novas demissões.

 

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