Fábio da Silva, 27 anos, teve um ano por altos e baixos na sua vida profissional na General Motors, em São Caetano do Sul (SP). Ele começou a trabalhar na fábrica em 17 de agosto de 2008, depois de um ano tentando conseguir uma vaga em uma grande montadora. Pouco mais de um mês depois, em 15 de setembro, houve a quebra do banco norte-americano Lehman Brothers e começou o agravamento da crise mundial.
Fábio trabalhou durante seis anos para uma pequena empresa que fornecia para montadoras, onde aprendeu o ofício de pintor. Depois de conhecer melhor o mercado, fixou o objetivo de trabalhar em uma montadora – fez cursos no Senai e passou a enviar currículos.
"Aí teve essa oportunidade para eu entrar na GM. Bem na hora que eu fui, aconteceu essa crise mundial", conta ele, que chegou a questionar se tinha feito um bom negócio em trocar o certo pelo duvidoso.
"No dia 17 de agosto deste ano ia vencer o meu contrato. Eu estava na expectativa de que seria prorrogado, só que nesse meio tempo aconteceu a crise no final do ano", diz Fábio. "Em dezembro teve as férias coletivas normais que a empresa dá, aí quando voltamos tinha acabado o terceiro turno", conta ele.
As fábricas normalmente trabalham em três turnos de oito horas, mas quando há menos demanda, as empresas costumam desativar o chamado terceiro turno, o da madrugada, para reduzir a produção.
Por algum tempo, Fábio ficou em casa recebendo salário, mas sem trabalhar. "Eu fiquei aguardando em casa, aí em 9 de janeiro me chamaram de volta, eu e mais umas 150, 200 pessoas", diz ele.
Gravidez e incerteza
Foi no início deste ano que Fábio recebeu outra notícia importante em janeiro: sua mulher estava grávida. A previsão era de que o bebê, o primeiro filho do casal, nascesse em agosto.
"Como eu não sabia se vai renovar ou não, eu comecei a ir atrás lá dentro para ver o que ia acontecer, o que dava para fazer para eu não ser desligado da empresa", diz Fábio. "Foi uma situação frustrante. Eu ficava tenso demais, ansioso, e meus superiores não podiam me confirmar nada."
O metalúrgico conta que, no início da crise, o clima na fábrica não era ruim. "O pessoal mais antigo falava: ‘Em 1989 teve uma crise assim e a gente está aqui até hoje’. No início da crise a gente pensava que era só mais uma crise, que não ia afetar muito."
Depois, porém, a situação mudou. "Quando foi agravando mesmo [a crise], a gente começou a ficar tenso, principalmente o pessoal que foi contratado em fevereiro [de 2008], que ia vencer o contrato. Um clima muito tenso, muito inseguro mesmo", conta.
Novo começo
Agosto chegou e Fábio ainda não sabia qual seria seu futuro na fábrica. "Meu contrato vencia no dia 17. No dia 12, nasceu meu filho, eu estava no hospital quando meu supervisor falou que era para eu ficar tranquilo, que já estava certa a minha permanência na empresa", diz ele. "Mas eu não sabia se era definitivo ou se ia só renovar o contrato."
"Quando eu voltei [da licença de cinco dias por conta do nascimento do filho], eles me falaram que meu nome estava em uma lista e que eu ia voltar."
Mas o final foi feliz: "Agora eu voltei e é contrato definitivo mesmo", diz Fábio, que conta que o clima na fábrica voltou a ser bom.
"Nesse tempo de um ano passou muita coisa, foi muito acontecimento pra mim. Pra mim e pra muita gente. Infelizmente não foi para todos que essa história acabou bem", reflete ele.
G1
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