Produtos colhidos cedo no campo direto para a mesa do consumidor. A pandemia do novo coronavírus afetou a vida de todo mundo e, inevitavelmente, alterou os projetos desenvolvidos pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Uma das ações extensionistas que foi afetada pela atual crise sanitária e de saúde vivida no País é a Feira Agroecológica da Instituição que, há mais de um ano tem incentivado o cultivo de produtos saudáveis, o cuidado com o meio ambiente, a sustentabilidade, o comércio justo e o incremento na renda familiar.

Por conta da pandemia, a feira realizada sempre nas quintas-feiras, das 7h às 12h, no hall da Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande, está temporariamente suspensa. Os agricultores familiares envolvidos no projeto, no entanto, não pararam seus trabalhos e tiveram que se reinventar nesse período, passando a utilizar a tecnologia como aliada. O celular e a internet se tornaram ferramentas fundamentais para garantir a comercialização de diversos produtos agroecológicos, livres de agrotóxicos. O sistema de entrega em domicílio passou a ser usado com frequência durante esse período de quarentena.

Incentivados por alunos de Ciências Biológicas envolvidos no projeto, eles desenvolveram uma alternativa diferente para vender seus produtos em bairros de Campina Grande. As informações sobre a logística de entregas domiciliares podem ser obtidas através do perfil da Feira Agroecológica no Instagram (https://www.instagram.com/feiraagroecologicauepb/). Na rede social, os estudantes estão publicando posts apresentando os produtos que os agricultores familiares estão ofertando, preços e contatos telefônicos para os pedidos serem feitos à distância e entregues em Campina Grande. Os contatos podem feitos diretamente com os agricultores, por meio do whatsapp.

As entregas são feitas nas quartas, quintas e sextas-feiras, além dos sábados, de forma agendada. Os pedidos devem ser feitos na véspera da entrega para dar tempo dos agricultores colherem e montarem a estratégia de entrega. Os agricultores possuem regras de aglomeração e higienização para evitar o contágio pelo novo coronavírus. O uso de máscara e álcool em gel fazm parte dessa nova rotina. Atualmente, quatro famílias que participam do projeto, das cidades de Lagoa Seca, Massaranduba e Lagoa de Roça e Boqueirão, estão adotando a entrega em domicílio. Das cinco barracas que atuam na Feira, apenas os agricultores da Associação Casaco, não estão fazendo a entrega, mas já estão se organizado para aderir a essa nova forma de comercialização dos seus produtos.

Um dos agricultores da Feira da UEPB que tem recorrido a entrega em domicílio é Antônio Rodrigues de Araújo, morador do Sítio Oiti, Zona Rural de Lagoa Seca. Ele destaca que esse sistema incentivado pela equipe do projeto ajudou os agricultores a manter suas atividades em tempos difíceis. Seu Antônio escolheu as quintas-feiras para fazer as entregas em Campina Grande e revela que a experiência tem sido proveitosa. A entrega é realizada pelo genro de seu Antônio, o agricultor Alberto Nascimento da Silva. Ele observa que o serviço é feito para compras a partir de R$ 20, sendo cobrado uma taxa de R$ 5. O agricultor comercializa, alface, salsa, rabanete hortelã, beterraba, macaxeira, entre outros produtos. Os consumidores podem fazer o pagamento em dinheiro ou cartão de crédito.

No início da pandemia, a agricultora Gerusa da Silva Marques, moradora do Sítio Cachoeira de Pedra D’Água, em Massaranduba, teve seus negócios afetados com a pandemia. Para amenizar os efeitos econômicos da Covid-19, a estratégia encontrada foi aderir ao sistema de entrega em domicílio. A procura, no entanto, era pequena e somente após as publicações no Instagram da Feira Agroecológica aumentou consideravelmente. Ela vende alface, coentro, cebolinha, polpa de cajá, goma, galinha de capoeira, entre outros produtos. A demanda, segundo ela, tem superado as expectativas desde que este tipo de opção de compra passou a ser divulgada no Instagram da Feira. “Desde que a equipe do projeto começou a divulgar, a procura aumentou muito. Assim, a gente tem como continuar colhendo e trabalhando”, salienta.

O coordenador do projeto, professor Simão Lindoso de Souza, do Departamento de Biologia, enfatiza que o sistema de entrega dos pedidos na casa do consumidor tem ajudado os agricultores agroecológicos rurais da região. A venda direta, sem atravessadores, foi a maneira encontrada pelos agricultores para manter o negócio funcionando durante o tempo de suspensão das atividades presenciais. Simão observa que os consumidores só precisam ter um pouco de paciência, visto que nem sempre as respostas dos agricultores são imediatas, tendo em vista que a maioria só acessa o whatsapp no período da tarde, após chegarem do campo, pois dedicam a maior parte do seu tempo para a produção e cuidados com o roçado e criações, restando pouco tempo para atendimentos imediatos. “Por isso é importante que o consumidor entre em contato com antecedência”, frisa o professor.

Simão ressalta que a ideia de publicar posts sobre a venda por telefone e entrega em domicílio nasceu de uma discussão conjunta e tem o intuito de colaborar para que a renda dos agricultores agroecológicos não sofresse tanto impacto devido ao isolamento social e a suspensão da feira presencial. Ele destaca que o perfil no Instagram do projeto não é um aplicativo para comercialização da feira, mas está sendo usado como uma ferramenta para divulgar os produtos dos agricultores com os respectivos contatos. A Feira Agroecológica da UEPB já está consolidada como uma das atividades de extensão que incentiva a comercialização de alimentos livres de agrotóxicos, cultivados em harmonia com a natureza e vendidos a preços justos. Atualmente, 10 alunos do Curso de Ciências Biológicas do Câmpus I e do Curso de Agroecologia do Câmpus II estão envolvidos diretamente com a feira e mantêm o contato com os agricultores.

Redação com assessoria

Deixe seu Comentário