O relator da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB), disse não ver sacrifício no fato de que os trabalhadores, após a implementação das mudanças, terão que respeitar uma idade mínima para se aposentar. A declaração foi feita nesta segunda-feira (27) durante uma reunião com empresários em São Paulo.

“Eu não acho que seja sacrifício trabalhar até os 62 anos, trabalhar até os 65 anos. Não pode ser um sacrifício. O que não pode é querer aposentadoria para virar complementação do salário", defendeu. “Ninguém para aos 55 anos, então desvirtua um processo fundamental que é o sistema de Previdência para nós, para os idosos e para os jovens que vão virar idosos”.

O deputado ainda se declarou favorável à retirada da idade mínima da Constituição, argumentando que esta definição deve ser feita a partir de estatísticas de órgãos como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Quanto às aposentadorias diferenciadas, como a dos trabalhadores rurais , Moreira pediu cuidado ao tratar das mudanças para essas categorias, uma vez que afetam principalmente os estados do Norte e Nordeste . “Precisamos ter muito cuidado ao mexer na aposentadoria do trabalhador rural. É uma questão social grave, mas devemos criar critérios modernos de reconhecimento e de que há um trabalho rural efetivamente sendo feito”, afirmou.

Até o momento, 42 emendas à PEC (Proposta de Emenda à Constituição) já foram apresentadas pelos parlamentares. O deputado, que destacou como "fundamental" o papel do centrão para a aprovação da nova Previdência, disse que mantém um diálogo com representantes de todos os partidos para fechar o relatório da comissão especial até 15 de junho.

Protestos de domingo

Quando questionado se as manifestações pró-governo do último domingo (26) , que tiveram parlamentares do centrão e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), como alguns dos alvos, poderiam afetar a tramitação da reforma, Moreira negou. Segundo o tucano, os deputados estão convencidos da importância de aprovar a PEC o quanto antes.

“Não há sentido você atacar alguém que tem um papel fundamental no processo da reforma [da Previdência ] e que está querendo a reforma. Não há necessidade disso, mas o País é livre e as pessoas são livres”, declarou o deputado.

Fonte: Economia – iG 

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil 


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