Um dos ícones da música brasileira, o paraibano de Brejo do Cruz Zé Ramalho, confidenciou detalhes de sua vida que alguns fãs não conheciam no programa Conversa com Bial.Há 40 anos, Zé traçava uma ponte que une Pink Floyd e Beatles a Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, entre tantos outros. Cidade grande e sertão, psicodelismo e regionalismo, o Nordeste inserido no mundo, o universo conectado ao Nordeste. Um trovador urbano comparado por muitos aos ícones da música mundial.

Em uma conversa descontraída, o homem do “admirável gado novo” disse que poderia ter sido médico, fez com que sua paixão pela música fizesse o menino do interior do Nordeste um dos maiores artistas do Brasil. Depois de completar 70 anos no começo deste mês, o cantor celebrou a nova idade contando suas incríveis histórias de vida e da criação de seus grandes sucessos, entre eles “Avôhai”.

Órfão de pai desde os três anos e com um avô que tomou a vez de genitor, Zé contou que o processo de criação da música “Avôhai”, palavra criada por ele como uma mistura de avô José Alves Ramalho, que viveu 83 anos, com pai.

Zé Ramalho disse que se dependesse de sua família, ele teria virado Doutor, mas resolveu abdicar da carreira de médico, para realizar o o sonho de viver de música. Aos 21 anos, ele decidiu largar o curso de Medicina e ir viver na “cidade grande”.

“Eu estava no segundo ano agoniado nas salas de aula. Eu não ia ser um bom médico, eu não queria fazer aquilo. Estava com essas músicas já prontas: Avôhai, Chão de Giz, Vila do Sossego, estavam todas assim, já prontas e eu tive que tomar uma decisão de chegar em casa e contar para a família: ‘Olha, não vou mais estudar. Não vou mais para a faculdade. Eu quero ir para o Rio de Janeiro ou São Paulo tentar a carreira de compositor e cantor’.”

Zé Ramalho falou das dificuldades no início da carreira e recordou do vício em cocaína e como parou.
Ele morava no Rio de Janeiro quando viu de perto o mundo das drogas. “Quando cheguei, o cartel de Cali [na Colômbia] estava investindo essa substância no Rio, botando da melhor qualidade para viciar”, recordou.

Para sair do vício, ele teve muita força de vontade e disse que nunca fez tratamento, psicanálise, mas simplesmente decidiu abandonar a droga e reconstruir a sua carreia. A decisão teve consequências.

“ Sofri bastante, mas o mais importante era recuperar a carreira. Eu fiquei sem gravar, as gravadoras não se animaram mais a trabalhar comigo. Você vai até onde dá para ir. Nesse limite eu parei, foi uma decisão importantíssima para mim”, desabafou.

Hoje, longe das drogas, ele conta que hoje toma apenas vinho e tem uma caneca exclusiva para isso.

Com mais de 40 anos de carreira, Zé Ramalho que ficou conhecido como “o trovador do apocalipse” e o Bob Dylan do Nordeste”. A música de Zé Ramalho pé recheada de “mensagens” — de um misticismo sincrético, Avôhai” é, sem dúvida, a música mais expressiva de Zé Ramalho, a que mais o identifica, embora musicalmente talvez não seja a mais emblemática do artista.

A tour 2019 traz Zé Ramalho revisitando alguns de seus principais sucessos, que venderam milhões de discos e conquistaram o respeito da crítica especializada. “Avohai, Frevo Mulher, Admirável Gado Novo, Chão de Giz, Eternas Ondas, Garoto de Aluguel, Vila do Sossego e Banquete de Signos” estão presentes no novo show, que traz ainda releituras de Raul Seixas (GITA e Medo da Chuva) e o sucesso Sinônimo.

O artista tem muitos fás na Paraíba, e sempre que vem a João Pessoa, costuma realizar shows. Zé também sempre marcou presença no Maior São João do Mundo, embora nos últimos anos não tenha participado da festa.

Severino Lopes
PB Agora com informações do UOL

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