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TEATRO – Ópera Seca sob nova direção

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(Curitiba, BR Press) – Sempre marcada pela estética apurada de seu fundador, Gerald Thomas, a Companhia de Ópera Seca, nome originado nesta característica principal de seus trabalhos, estreou Travesties sob nova direção no Festival de Curitiba: Caetano Vilela. Ele foi ator e assistente de direção do grupo, além de iluminador – como Thomas, que também criava a luz de seus espetáculos.

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A obra escolhida para este renascimento é uma comédia de 1974 com ares de farsa, de autoria do inglês Tom Stoppard, que discorre, em labiríntica dramaturgia, sobre as memórias de um funcionário da embaixada britânica em Zurique, Suíça. O mote é um encontro entre o revolucionário Lenin, Tristan Tzara, precursor do movimento dadaísta, e o escritor irlandês James Joyce, que ocorreu naquela cidade, em 1917 – ano nevrálgico para as chamadas vanguardas artísticas européias.

Arte revolucionária

 

A grande questão da obra é, portanto, o papel do artista na revolução -questionamento que até hoje muitos se fazem. O texto, traduzido por Marco Antônio Pâmio, repleto de citações históricas e intelectuais, recebeu um tratamento de desconstrução pelo diretor e o dramaturgo Sergio Zeigler, com mais referências sobrepostas.

Entre elas está o uso – um pouco acima do ideal – de piadas metateatrais, que, pela repetição demasiada, acabam esvaziando a força de suas intenções e prejudicando o entendimento de um texto que exige maior concentração para sua total assimilação.

Operística

A encenação surge novamente imponente, como em uma ópera contemporânea. Fica um pouco difícil não comparar o trabalho do atual criador com o de seu antecessor, seja pela estética, com o tratamento dispensado a uma luz incrível (ponto altíssimo do espetáculo), o palco amplo com elementos pontuais e simbólicos que, aqui, remetem ao mundo corporativo (arquivos e mesas) e ao mundo artístico (livros, muitos livros), ou pelo uso de recursos narrativos como a voz em off, agindo como consciência espectral da história.

Após assistir ao espetáculo, fica o desejo de conhecer os próximos trabalhos da companhia sob a orientação deste novo diretor. Caetano Vilela indica que, futuramente, mais livre e maduro em dramaturgia teatral, poderá mostrar seu trabalho sem tanta influência de Thomas.

Elenco

Quanto aos atores, os destaques são Germano Mello, por seu controle da cena, Rodrigo Lopez, pela sua força e empatia, e Fabiana Gugli, pela melhor percepção da linguagem, associada ao humor. Completam o elenco: Anette Naiman, Manoel Candeias, Patrícia Dinely, Roberto Borges e Roney Fachinni.

Travesties – que não tem data de estreia em circuito comercial – é um belo resultado visual, que pode amadurecer e ser valorizado por seu humor provocativo e inquietante – outra marca Cia. de Ópera Seca.

(Lucianno Maza, do Caderno Teatral, viajou a convite do Festival de Teatro/Especial para BR Press)

 

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