Realizou-se na noite desta sexta-feira (30/11) o casamento dos jovens ciganos, Pedro Bernadone Lacerda de Figueiredo e Marcilânia Gomes Alcântara.
De origem Calon, nascidos e criados aqui em Sousa, forma prometidos desde o nascimento pelos pais em casamento. Não que seja uma obrigação casarem-se mediante essa promessa, mas os pais muito amigos costumam idealizar essa possibilidade.
Quis o destino que ambos se apaixonassem. Namoraram por um longo tempo, noivaram e hoje finalmente casaram-se em duas cerimônias: uma católica, na Igreja do Bom Jesus Eucarístico Aparecido de Sousa, sob as bênçãos do Pe. Elias e outra no ritual cigano de casamento realizado na ASK Fest Recepções.
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O casamento cigano foi celebrado pela cigana indiana, Yáskara Guelpa, que veio de São Paulo para ser madrinha do casamento católico e realizar o ritual cigano de união matrimonial.
Belíssimas as palavras do Pe. Elias quando parabenizou os noivos pelo desejo de manter e preservar os costumes do povo cigano, tendo ele próprio ido assistir a celebração cigana.
O ritual de união cigana é um momento mágico, cheio de simbolismos. Quem preside e invoca as bênçãos de Santa Sara Kali, padroeira dos povos ciganos do mundo é sempre uma cigana de idade, respeitada, querida e da confiança dos familiares dos noivos.
Há velas, flores, incensos, pães, vinho, sal e frutas. Punhais são usados para simbolizar o laço de sangue que une os noivos pelo sangue dos pulsos e uma taça de vinho é bebida por ambos e em seguida quebrada pelo noivo – Da mesma forma que aquela taça uma vez estilhaçada jamais voltará a ser a mesma, os noivos a partir daquele instante não serão mais quem eram. Agora são um só corpo e uma só alma e nada os pode separar.
Santa Sara protetora dos partos, abençoa com seu manto azul sagrado a fertilidade e a fecundidade do casal para que tenham filhos saudáveis, bons e puros de alma e de índole, pede-se pela perpetuação da etnia e para que os ciganos jamais desapareçam.
O casamento foi prestigiado por ciganos e não-ciganos e contou com a presença da imprensa local e de outros estados.
Muito lindo a simplicidade e humildade dos mais velhos. A nova geração cigana já nascida em Sousa é linda e ao que parece darão continuidade as tradições e costumes desse povo milenar.
Os ciganos são músicos natos, cantores de vozes primorosas. Todo o casamento foi cantado e tocado por eles. Dança, confraternização e alegria marcaram a festa que se estendeu pela madrugada.
Um dos momentos mais bonitos da festa, além da celebração religiosa, foi a dança dos recém-casados. Um ritual que une amor, cumplicidade, entrega e uma paixão que é transmitida exclusivamente pelo olhar, uma vez que a coreografia quase nunca permite que eles se toquem.
Num mundo tão “moderno”, cigana só casa dentro das tradições, guardando-se virgem para seu marido.
A emoção tomou conta de todos quando os pais dos noivos, Francisco Soares de Figueiredo (Coronel Cigano) e Gradival Alcântara , há anos sem se falarem, subiram ao palco e juntos relembraram com saudade os momentos em que formavam uma dupla de cantores e se apresentavam em rádios, festas e circos. Emocionados e com as vozes embargadas cantaram “Mercedita” – Uma melodia cigana em espanhol. Para os noivos, os filhos e familiares de ambos não poderia haver maior e melhor presente. Depois os convidados pediram “mais uma” e “mais outra” e eles cantaram um repertório inteiro.
É importante que Sousa reconheça e aprenda a valorizar esse povo que há mais de 30 anos vive entre nós, detentores de um potencial enorme e de uma cultura riquíssima. É preciso acabar os preconceitos e isso só é possível conhecendo melhor essa gente linda que só quer liberdade para expressar-se livremente.
Os Calon de Sousa só querem hoje é espaço para estudar, trabalhar e se integrar completamente a nossa sociedade sem perder suas tradições e costumes.
Que o exemplo dado por esse casal possa ser seguido e que muitos outros jovens ciganos possam ter a felicidade de viver uma noite mágica, um casamento abençoado pela luz da lua cheia e uma vida plena e digna sob a proteção Santa Sara Kali.
Só creio em um Deus, e Este está presente em todas as religiões que pregam o bem e o amor ao próximo. Só reconheço a existência de uma raça – a raça humana, em sua infinita pluralidade.
Cor, credo, origem, nada disso tem importância. O caráter é o que conta.
Termino desejando aos meus irmãos, Bernadone e Marcilânia, que essa união se estenda pela eternidade e que muito em breve eu seja convidado para ser padrinho de meu primeiro sobrinho cigano.
Duvel Baron e Marrarin Sara Kali abençoe-nos hoje e sempre!
Adiá siliarda!
Folha do Sertão
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