Cenário é dominado por micro e pequenas empresas e existem 20,3 mil registrados no setor
Uma indústria forte e pulverizada por todas as unidades da Federação, composta majoritariamente por micro e pequenas empresas e com enorme transversalidade, pois interage com diversos setores e cadeias produtivas. Essa é apenas uma das conclusões do Estudo Setorial da Indústria Gráfica no Brasil, realizado em parceria pelo Sebrae Nacional e a Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), lançado nesta quarta-feira, 26. O IEMI (Instituto de Estudos e Marketing Industrial) foi o responsável pela elaboração do trabalho.
O Estudo Setorial da Indústria Gráfica no Brasil é considerado pioneiro, devido à abrangência nacional e à profundidade de detalhes. Trata-se também do primeiro trabalho realizado pela parceria estabelecida entre Sebrae Nacional e Abigraf, visando subsidiar a construção de propostas, projetos, programas e estratégias, a serem implementados pelas duas entidades em todo o País, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento das empresas e dos negócios do setor gráfico brasileiro.
“Ao mesmo tempo em que ratifica a pujança do parque gráfico brasileiro, sua pirâmide estrutural com base constituída por pequenas e médias empresas e seu avanço de qualidade, esse trabalho identifica as tendências e os desafios a serem vencidos”, destaca Alfried Karl Plöger, presidente da Abigraf Nacional.
Para Paulo Okamotto, presidente do Sebrae Nacional, o Estudo Setorial da Indústria Gráfica no Brasil é um marco importante para o desenvolvimento do setor, constituído massivamente de micro e pequenas empresas. “É um documento de grande utilidade para todos aqueles que nele atuam direta ou indiretamente ou trabalham em prol do desenvolvimento do País”, conclui.
Na Paraíba- O estado contava, até o segundo semestre de 2008, de acordo com o estudo, com 205 empresas gráficas registradas em seu território empregando cerca de 2 mil funcionários, que trabalham em sistema de mais de oito horas por dia (1,2 turno). O faturamento na região, em 2008, ficou em torno dos R$ 258 mil, um crescimento de cerca de 20% desde o início das analises em 2007, acompanhando a evolução que se observou nas demais empresas do Nordeste.
Quanto ao volume de papel transformado, as micro e pequenas empresas do setor consomem 27.836 toneladas ao ano. Outro destaque da pesquisa vai para a falta de investimentos do setor, das empresas estudadas 25% revelaram que não fazem qualquer tipo de investimento em ações de marketing.
A empregabilidade dessa indústria avançou, destrancando as regiões Norte e Nordeste, onde a Paraíba está inclusa, com uma taxa de crescimento de 7,4%. A pesquisa revelou que nessas regiões o crescimento foi o mais acelerado do país, mesmo sendo as localidades as que menos contém empresas gráficas em seus territórios. Os Estados de Bahia, Ceará e Pernambuco são os que concentram o maior número de indústrias gráficas da Região Nordeste, bloco onde a Paraíba está inserida.
Cenário brasileiro- Segundo o levantamento, existem 20,3 mil empresas registradas no setor gráfico em todo o território nacional, cuja maioria (88%) é de micro e pequenas empresas. Elas empregam menos de 20 funcionários. A receita bruta anual da indústria gráfica nacional foi superior a R$ 23 bilhões, em 2008. As pequenas gráficas geraram 21% desse total, ocupando 32% da mão de obra empregada no setor.
Ao todo, a indústria gráfica nacional é responsável por 315 mil empregos, de forma direta e indireta, diz o estudo do Sebrae e Abigraf. As gráficas comerciais representam 98,2% do total; as religiosas, 0,7%; as sindicais, 0,6%; e as do setor público-oficial, 0,5%. Gráficas religiosas, sindicais e do setor público-oficial são isentas de tributação.
O parque gráfico nacional é composto por 71 mil máquinas de impressão, com idade média em torno de cinco anos. Na área de acabamento e beneficiamento conta com mais de 61 mil máquinas, cuja média é de sete anos. Esses dados justificam a indústria gráfica brasileira ser considerada atual.
Em 2008, os clientes diretos foram responsáveis por 82% das receitas obtidas, destacando-se entre eles, as empresas industriais (35%) e o comércio varejista (26%). Jornais, livros, revistas, apostilas e manuais constituíram a principal fonte das receitas na área de impressão, correspondendo a 31% do total do faturamento do setor, no ano passado.
O estudo estima que a participação da indústria gráfica se aproxime de 1,5% do faturamento total da indústria de transformação nacional. Comparada com a mão de obra empregada por esse segmento industrial, ela alcança percentual próximo a 2,8%.
Concorrência aberta- As barreiras econômicas e tecnológicas são consideradas baixas na indústria gráfica, deixando o setor aberto à entrada de novos competidores. Essa seria a explicação para o grande número de empresas registradas no País e a presença de pequenos produtores, de acordo com o estudo.
A facilidade de entrar nesse mercado aumenta a concorrência na maioria dos nichos dessa indústria, onde escala elevada não significa vantagem competitiva, necessariamente. Com exceção das áreas de impressão em sistemas rotativos ou de embalagens de papelão, os pequenos produtores gráficos competem em condições acirradas com grandes e médias empresas.
Essa seria uma das razões da longevidade média das empresas do setor, de aproximadamente 18 anos de atividades no Brasil. Muitas delas são empresas familiares, uma característica tradicional da indústria gráfica em todo o mundo.
Assessoria
