Ele foi excomungado pela Igreja Católica e sofreu censura no período do regime militar. Mas, não, não se trata de um roqueiro, e sim de um dos ídolos da chamada música brega – título que o cantor e compositor Odair José não rejeita, mas também não aceita.
“O brega é um rótulo que as pessoas criam. Eu faço música pro povo, gosto de falar do cotidiano das pessoas simples. Eu faço crônica musical”, revelou, em entrevista concedida por telefone CORREIO, na estrada do Rio para São Paulo.
Odair José – que vai fazer o show de abertura da Festa das Neves, hoje, a partir das 21h, no Ponto do Cem Réis – começou sua carreira flertando com o estilo country e chegou a ser intitulado de o Bob Dylan brasileiro.
Foi quando lançou o álbum “Filho de José e Maria”, que lhe rendeu a excomunhão pela Igreja, pois a instituição considerou que se tratava de uma referência a Jesus Cristo. “Eu fui criado dentro da Igreja Católica, mas desde o começo da minha carreira a Igreja nunca foi com a minha cara. O problema dela é que há muito hipocrisia. Ela abre a janela e coloca uma cortina na frente”, alfinetou.
Outro episódio que marcou a carreira de Odair José foi a censura durante a ditadura militar. Isso porque, na época, ele lançou a canção “Uma vida só”, que ficou conhecida pelo refrão “Pare de tomar a pílula”.
Dois motivos levaram à censura da música. O primeiro deles é que o governo brasileiro estava numa campanha de controle de natalidade e a canção incentivava justamente o contrário. Em segundo lugar, a música trata de um casal que discute sua vida sexual, e naquele período, qualquer referência ao sexo era considerado atentado à moral e aos bons costumes. “Eu e o Chico Buarque fomos os caras mais censurados naquela época. E de fato não podia ser diferente, porque a gente fazia política através da música”, comentou.
As canções de Odair José discutiam sexo e apontavam sua postura política diante de alguns aspectos da sociedade brasileira. Duas músicas revelam mais claramente essa postura: “Deixe essa vergonha de lado” e “Eu vou tirar você desse lugar”.
A primeira versa sobre uma empregada doméstica que tem vergonha da profissão e diz morar na casa onde trabalha. Na década de 1970, quando foi lançada, a profissão de empregada doméstica ainda não tinha sido legalizada. “Eu nunca fui um ídolo das empregadas, como alguns dizem, mas eu fiz um movimento em São Paulo pela legalização da profissão e pelos direitos das empregadas”, esclareceu Odair José. Na segunda canção, o foco são as prostitutas, mas o reflexo dela só foi ser sentida bem mais tarde. “Curiosamente, agora, estão querendo regularizar a profissão das prostitutas”, complementou.
Na década de 1970, Odair José alcançou um sucesso imenso, sobretudo, entre as camadas mais populares. Depois, porém, passou um bom tempo fora da mídia. “Isso é natural, a mídia quer novidade. Mas faz parte da vida do artista dar uma pausa e a mídia não pode esperar por isso”.
Após um período de ostracismo, ou o que o cantor chama de pausa natural na vida de uma artista, ele ressurge, curiosamente num período em que vários ídolos do chamado brega são revisitados, ou assumem a alcunha de cults. Odair José, contudo, vai na contramão dessa percepção. Para ele, naquela época não havia preconceito contra a música dele: “Eu era amigo de todo mundo, Chico, Caetano. Não existia isso de torcer o nariz, isso surgiu de uns 10 anos pra cá”.
O que acontece, na perspectiva dele, “é que uma parte da crítica tenta achatar o trabalho da gente. Mas quando você tem um trabalho bom, uma hora vão reconhecer isso. Foi o que aconteceu com o Wando, que é um letrista muito refinado”.
Odair José, que se apresenta pela segunda vez na Festa das Neves – ele fez um show na edição da festa em 2010 – promete fazer um show recheado de grandes sucessos. “O show vai ser composto de 29 músicas: 25 são da década de 1970 e apenas quatro são do meu disco mais recente” – se referindo ao álbum Praça Tiradentes, lançado em 2012, por insistência do produtor do disco, o cantor e compositor Zeca Baleiro (que faz também show na Festa das Neves, amanhã). E acrescenta: “No show a maioria das músicas são da década de 1970, mas quando eu canto, parece que foram compostas ontem. O público jovem vai curtir muito”, convidou.
CORREIO DA PARAÍBA
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