Por pbagora.com.br

Praga concorre com Veneza e Paris pelo páreo de cidade mais romântica da Europa. Andar pelas suas ruas estreitas de mão dada com o amor de sua vida, deixar voar a fantasia ao som de um (excelente) músico de rua, ou apenas sentar juntos, com mãos entrelaçadas, para contemplar um dos muitos jardins floridos. Almoçar numa janela sobre o rio Vltava, olhando para a arquitetura antiga e as cúpulas coloridas, e depois chegar até o relógio astronômico, de 1338, e esperar ele marcar a hora para descobrir o que ocorre (isto é, ver os apóstolos aparecer…). Se emocionar juntos pela história de uma amante que prefere se sacrificar pelo bem do amado, e depois da ópera jantar com velas num restaurante fashion e exclusivo, ou fazer uma das excursões fluviais, vendo a cidade desde as águas. Isso tudo pode ser Praga para quem a escolher como cenário para celebrar um amor. Excelente para um aniversário de casamento, uma lua de mel ou, simplesmente, uma romântica fugida da rotina.
 

É que Praga desafia também Veneza e Paris em beleza e charme. Como as duas, ela reflete no seu belo presente o acúmulo de história e um período de glória que a marcara para sempre. Não por nada os locais afirmam que quando Carlos IV estabeleceu ali a sede do Império, entre 1346 e 1378, era esta a cidade mais importante do continente. A ponte de Carlos, por sobre o Vltava, é testemunho daquela época em que a cidade viveu seu maior crescimento.

Pois não é cidade que viva somente do passado. As livrarias são cheias, as lojas oferecem objetos de design e lembranças descoladas, e custa resistir à tentação nas tendas de objetos de vidro. A noite é jovem e agitada, e o que marca o ritmo é o tipo de música que se quer escutar: há concertos nas igrejas e nos palácios, há teatros e salas, há cabarés e subsolos onde um bom jazz ou um excelente rock não são exceção.

Restaurantes para não perder: Mlynec e Bellevue (uma dica: reserve antes, e peça uma mesa na janela, frente ao rio, ambos com cozinha internacional e preços salgados). As cervejas da região são muito boas (um curiosidade é a cerveja local da Budweisser: serve para entender até que ponto a loira americana é deslavada) e, de modo geral, a culinária típica não difere muito do que conhecemos como cozinha alemã. U Fleků e Beer Factory são dois bares que vale a pena visitar, assim como o restaurante do subsolo do Klub Arkitectu. Um detalhe: não é para se assustar se, tendo lugar sobrando, o garçon convidar para sentar na sua mesa algum ou alguns desconhecidos.

Praga se conhece andando – não levar um bom par de tênis pode ser uma péssima ideia. Não dá para ir embora sem ter visitado o Castelo (Hradčany) e a Catedral de São Vito (preste atenção ao ingresso comprado, pois dependendo do preço eles dão acesso a determinadas áreas do prédio), de onde se tem a visão desde o ponto mais alto da cidade (prepare as pernas!) e o bairro vizinho, Malá Strana. É inevitável andar pelas ruas do Staré město, o bairro mais antigo, e as do Nové město, literalmente “bairro novo”… ele é do século XIV.

É tanto o que há de se ver, conhecer, descobrir, que cabem duas possibilidades: um planejamento estrito (e muita disciplina) ou um simples se perder e deixar que a cidade surpreenda. Um coisa é certa: não basta ir uma vez para dizer que se conhece Praga.

Uma alternativa ao esquema dos circuitos desenhados pelos guia de viagem é procurar um tema que funcione como fio condutor. Pode se conhecer, por exemplo, a Praga dos escritores. O mais famoso é, com certeza, Kafka. Merece uma visita o Franz Kafka Museum, no Malá Strana, onde há manuscritos do autor de A Metamorfose e O Processo e uma interessante tentativa de, com efeitos de 3D, reconstruir a topografia imaginária (kafkiana) de Praga. É interessante à visita a uma das casas onde morou, e há quem goste de percorrer a cidade procurando reconhecer a arquitetura de suas obras. Mas Praga foi também a cidade de Kundera (A Insustentável Leveza do Ser a tem como cenário) e Rainer Maria Rilke…

Se preferir, pode se percorrer a Praga dos músicos, a começar pelas glórias nacionais, os compositores Dvorak e Smetana, com seus museus e salas de concerto. Mas na cidade rende-se culto também a Mozart, que lhe dedicou uma sinfonia e que aqui estreou Don Giovanni. Mudando de ritmo, Frank Zappa foi convidado ilustre do presidente Havel, que queria fazer dele um embaixador e acabou nomeando-o agregado cultural. O presidente pós-comunista era também fã do Velvet Uderground, e recebeu com honras Lou Reed. A cidade foi meca de grandes músicos, e ainda é.

Em maio acontece um dos festivais de música mais famosos: o Primavera de Praga; costuma ter um Outono de Praga, mas (pena!) a crise fez cancelar a edição 2009. Algumas das salas onde vale a pena procurar programação musical são o palácio Lobkowick, o Rudolfinum, o Smetana Hall e o State Opera, que acaba de fazer 120 anos. Aliás, esta última sala é sede de um festival de óperas italianas, em agosto e setembro: Tosca, La Traviata, Aida e mais.

Mas Praga não é apenas música erudita. O bom jazz costuma estar no Agharta Jazz Centrum, no U Malého Glena e no Reduta Jazz Club. Há um festival de jazz importante em novembro: o ¿i¿kov Meets Jazz, no Palac Akropolis, abrindo com Stan the Man. Quem quiser escutar rock moderninho, vá no Lucerna Musica Club.

Há também uma Praga dos arquitetos e dos amantes do design, que convida a um percurso que começa com o Castelo (e, no seu interior, a Catedral de St. Vito), visita o melhor do art nouveau e chega à arquitetura de vanguarda. Muito conhecido é o prédio dançante, de 1992, originalmente conhecido como Fred and Ginger, do arquiteto checo Vlado Milunic e o canadense Franck Gehry; também chamado o prédio bêbado, ele parece estar desmanchando.

Lembrancinhas? Pode se levar de monte. Destaque especial para as peças de cristal de Bohemia e para o absinto, o licor maldito da era romântica, que fora proibido pelos seus efeitos alucinógenos e que hoje é produzido numa versão menos perigosa, ainda que com 70% de teor alcoólico. Há lojas de souvenirs russos: desde relógios, medalhas e chapéus com a foice e o martelo até as matrioshkas, aquelas bonecas de madeira pintada que guardam em seu interior outras bonecas semelhantes, sucessivamente menores.

Para saber mais, recorra ao serviço de informações da cidade, por telefone (12 444 ou 221 714 444), ou por e-mail: tourinfo@pis.cz. Há oficinas de informação na rua Rytírská 31, na estação central de trem, no aeroporto e na Bridge Tower; nelas, compra-se ingressos para os monumentos e museus com desconto, e pode se contratar visitas guiadas pelas ruas da cidade (os walking tours). Muito bom é o site oficial: www.prague-info.cz.

 

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