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Parque atrai gays e simpatizantes

O parque de diversões Playcenter, na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, abrigou neste sábado (13) uma festa de preparação para a Parada Gay de domingo (14), embora tenha atraído também algumas famílias e grupos de desavisados que só queriam utilizar os brinquedos de diversão. Organizadores esperam que mais de oito mil pessoas passem pela festa ao longo do dia. No início da tarde, eram mais de 5.800 pagantes.

Os participantes podiam se divertir com os brinquedos sempre disponíveis, como a roda-gigante, carrossel, o castelo dos horrores, a montanha-russa, e, só neste sábado (13), tiveram direito ainda à trilha sonora que ia do pop ao eletrônico com alguns shows e apresentações de DJs.
 

O evento faz parte da programação do mês do orgulho gay. Mas invariavelmente, todo ano, alguns freqüentadores são surpreendidos com a programação. Algumas famílias foram embora sem entrar; outras aproveitaram o clima de festa para curtir com as crianças.

Agta Regina, 32 anos, mãe de Lucas, 5 anos, não sabia que haveria Gay Day e se surpreendeu quando chegou. Ela e duas amigas estavam preocupadas com a reação das crianças diante do público, hesitaram, mas, ao fim, decidiram entrar no parque. “Para eles, é como tirar um sarro de um palhaço”, disse constrangida.

Mesmo dilema passou Tatiane Caramelo, 31 anos, com o marido e três filho. No parque, eles comemoravam, porque acharam mais fácil ir aos brinquedos sem tanta fila ou confusão.

A diversidade de público, obtida com a manutenção das atrações tradicionais e o acréscimo de atrativos LGBT (como as performances e os shows), era a intenção dos organizadores. Elisabete da Cruz, coordenadora pedagógica da Eloin (empresa que participou da produção), explicou que estimular a diversidade era o foco do evento.

“A programação não é feita exclusivamente pro público LGBT. Por isso, a gente procura manter as atrações e trouxemos algumas mais”, afirmou. “Têm pessoas que esperam o dia de Gay Day, porque é um dia que não tem briga”, acrescentou.

A transformista Darine Stern, 24 anos, que é Miss Gay Várzea Paulista, disse que gostou do ambiente familiar. “É a melhor parte ter criança, família, porque não olham torto, discriminando”, afirmou.

O operador de logística Alan Wagner, 32 anos, homossexual, disse por que acha legal fazer uma festa gay em um parque de diversões: “A diversão é igual para todo mundo. Quanto mais as pessoas observarem o verdadeiro universo GLBT verão que ele não é tão diversificado assim”.

Exclusivamente pelo perfil dos frequentadores, a recepcionista Kamilla Maciel Sanos, 26 anos, heterossexual, disse preferir eventos GLBT, porque é menos importunada do que numa balada heterossexual. “Numa balada normal, os caras agarram. Na GLS, o pessoal respeita o espaço do outro”, declarou.

Ela acompanhava o DJ Ricardinho Cunha, 29 anos, um dos primeiros a tocar na festa. Ele disse ter optado por tocar em baladas gays também porque se sente mais respeitado. “O público é mais receptivo, respeita bastante”, afirmou.

Contra o preconceito, um grupo de cinco drag queens se vestiu com uniformes de faxineiras, munidas de espanadores, para “faxinar” a homofobia. “Estamos faxinando a homofobia do mundo”, declarou a drag Nina Cash, que era uma das mais empolgadas na auto-pista, um dos brinquedos mais populares no parque.

globo.com

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