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O Agente Secreto: filme provoca, desafia e mostra que o Brasil que pensa e cria também fala com sotaque nordestino

Por Thatiane Sonally

Fui assistir O Agente Secreto ontem (11) sem saber de muita coisa. Na verdade sem saber de quase nada. Claro, sabia o básico: o filme foi escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar, premiado em Cannes e alvo de muitos elogios. Mas, propositalmente, não me aprofundei. Não busquei sinopse, não li críticas, porque gosto do fator surpresa quando se trata de cinema e literatura.

E a surpresa veio e não foi pequena. Não vou dizer que não gostei. Longe disso. A ambientação, a fotografia, a direção, as atuações, está tudo impecável. Mas confesso: não foi nada do que eu estava minimamente supondo. E mais do que isso: saí da sessão com aquela sensação de “eu esperava mais”, sem nem saber explicar o que exatamente. É um filme que exige contexto, leitura de mundo, repertório. Sem isso, você fica meio perdido, tentando entender por que o personagem de Wagner Moura está fugindo, por que perdeu a mulher, por que não está com o filho, por que tem que se refugiar.

O filme exige que o espectador se aprofunde. Ele não entrega respostas fáceis. E talvez seja exatamente aí que reside sua força e o filme muda completamente de figura.

Achei ótima a citação à folclórica “perna cabeluda” de Recife, que dá um toque de humor à obra. Mas confesso que a cena em que a lenda ganha vida me pareceu exagerada e um tanto quanto desnecessária.

Mas dito isso, quero me deter em quem pra mim, é a grande protagonista do filme: Dona Sebastiana, interpretada pela incrível Tânia Maria. Carismática, destemida, com o sotaque e a doçura de uma avó nordestina, é impossível não se encantar. Que personagem! Que atriz! A verdadeira agente secreta.

Descobrir que Tânia Maria só começou a atuar aos 72 anos, que aceitou ser figurante em Bacurau por uma diária de R$50 que era mais do que ganhava costurando seus conjuntos de banheiro e que Kleber Mendonça escreveu essa personagem especialmente para ela, dá um quentinho no coração. A vida presta. E presta muito.

Nada mais fora de moda do que o etarismo e Tânia Maria prova que talento não tem idade.

E não dá pra ignorar outro ponto: o talento nordestino que brilha nesse filme. Atores, técnicos, artistas de todas as áreas. Somos resistência. Há cultura, força e excelência no Nordeste e há gerações inteiras lutando por esse reconhecimento, que, finalmente, começa a chegar.

Saí do cinema me sentindo ‘burra’, mas percebi depois que o filme faz exatamente o que se propõe: faz pensar. O Agente Secreto não é para consumo rápido. Um filme provocante e necessário.

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