Estreia nesta segunda-feira (4), na TV Globo, a minissérie “Dalva e Herivelto, uma canção de amor”. Em cinco capítulos, a autora Maria Adelaide Amaral promete recontar a história de paixão e brigas públicas envolvendo Dalva de Oliveira (Adriana Esteves) e Herivelto Martins (Fabio Assunção), casal ícone do samba-canção brasileiro. Nesse grande leque de personagens reais que fazem parte da minissérie, uma figura emblemática do teatro nacional: Dercy Gonçalves, que morreu aos 101 anos em julho de 2008.
Dercy foi amiga de Dalva e ganha vida na minissérie na pele de Fafy Siqueira. “Foi o trabalho mais difícil que eu fiz. A Dercy que a Maria Adelaide escreveu é uma. A que as pessoas com menos de 70 anos conhecem é outra. Ela não era só uma velha maluca que falava palavrão. Foi uma grande empresária, era respeitada por todos os políticos deste país”, conta Fafy, que define sua ligação com Dercy como “cármica”.
Antes de morrer, a comediante havia pedido que Maria Adelaide Amaral escrevesse uma peça sobre sua vida. “E ela queria que eu a interpretasse”, diz Fafy. “Não entendia o porquê disso. Tenho um humor diferente do dela, não falo palavrão. E ela me disse: ‘Você é a única que nunca tentou me imitar’. Acho que essa minissérie vai ser um marco na minha carreira. Eu sou a cara do Ronald Golias. Não tenho nada da Dercy Gonçalves e acabei ficando idêntica a ela”, define a atriz, que aparecerá na TV 22 kg mais magra.
A empolgação pode não deixar transparecer os problemas que Fafy encarou até conseguir “se transformar” em Dercy. Ela diz que não havia muito material disponível sobre a vida da humorista, então conversou bastante com Marília Pêra, cujo pai era amigo de Dercy.
“Vim me preparando para ser ela nos últimos dois anos, por causa da peça. Mas 72 horas antes de gravarmos a primeira cena, eu não ainda sabia o que ia fazer. Fiquei dois dias inteiros dentro do quarto do hotel, chorando muito. Chamei a Dercy na chincha: ‘Como você me escolhe e não me dá uma força?’”, lembra.
Mas na hora de gravar, tudo mudou. A primeira sequência era uma briga entre Dercy e Herivelto. “Quando íamos começar a gravar, ouvi uma voz dizendo ‘Fafy’. Olhei para trás, e não tinha ninguém. O Denis falou ‘gravando’ e eu imediatamente me transformei na Dercy. O Fábio me disse depois: ‘Não estou acreditando. Está igualzinha’. Nesse momento eu e a Dercy nos reconciliamos. E dois dias depois mandei rezar uma missa para ela.”
Peça e filme
Apesar do texto de Maria Adelaide Amaral, de Fafy Siqueira no papel principal e de Marília Pêra na direção, o espetáculo “Dercy por Fafy” ainda não saiu da gaveta. “Só tomei porta na cara. Tem gente que patrocina filme de garota de programa, livro de corruptos, mas não quer associar a imagem da empresa com uma mulher que falava palavrão. A Dercy foi superimportante para o teatro brasileiro e não conseguimos um tostão para a peça. Acho que a minissérie vai ajudar muito nisso. Vão entender que ela foi a artista mais importante do teatro brasileiro. Não haveria Marílias, Fernandas, Fafys, não fosse por ela.”
A atriz é só elogios para a autora Maria Adelaide Amaral, que escreveu séries como “A muralha”, “A casa das sete mulheres” e “JK”. “A Dercy dizia que a Maria Adelaide era a autora mais inteligente do Brasil. Também acho. Ela sabe falar de qualquer assunto, de Reginaldo Rossi a Beethoven. Comparo ela ao Roberto Carlos. Com forma simples e fácil, consegue fazer poesia.”
Há, ainda, o projeto de transformar a peça em filme, com direção de Tizuka Yamasaki. “Já convidei a Adriana Esteves para viver a Dercy mais jovem”, conta Fafy. “Ela está ótima na minissérie, vai surpreender o Brasil.”
Baseada em fatos reais
Protagonizada por Fabio Assunção e Adriana Esteves, “Dalva e Herivelto, uma canção de amor” vai centrar seu foco no relacionamento entre a famosa cantora Dalva de Oliveira e o notável compositor Herivelto Martins, que marcaram época com suas vozes, letras e conflitos conjugais.
A trama tem início em 1972, com Dalva em seu leito de morte, sonhando com a visita de seu grande amor. A partir daí, uma retrospectiva mostrará a vida do casal, desde 1936, quando se conheceram no Teatro Pátria, no Rio de Janeiro. Encantado pela jovem, Herivelto fez dela sua grande criação, formando com Nilo Chagas o chamado “Trio de Ouro”.
Juntos, conquistaram fama e dinheiro, e ficaram conhecidos como grandes artistas da época. Herivelto cuidava de sua estrela com zelo, mas não demonstrava a mesma preocupação quando se tratava do casamento. Mantinha relações extra-conjugais, o que deixava Dalva enlouquecida de ciúmes e fazia com que ela bebesse cada vez mais. No entanto, apesar de galanteador, ele sempre voltava para casa –até que conhece Lurdes Torelly (Maria Fernanda Cândido), por quem se apaixona, e acaba abandonando Dalva.
Com o coração partido, ela seguiu carreira solo e continuou brilhando como cantora. Herivelto, por sua vez, nunca mais atingiu o mesmo sucesso de antes. As discórdias entre os dois eram acompanhadas pelo grande público, com exposição nos jornais, acusações e disputas judiciais.
O texto de Maria Adelaide Amaral foi escrito com base em uma extensa pesquisa, que teve início em abril de 2009, baseada não apenas nas biografias de ambos os protagonistas, além de material de arquivo de jornais e revistas de época, e o acervo das próprias famílias. A correspondência amorosa trocada por Dalva e Herivelto também serviu de base para a construção da trama, assim como entrevistas feitas com amigos e familiares do casal.
G1
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