Orações, lágrimas e saudades deverão marcar o Dia Finados em Campina Grande. Mais de 40 mil pessoas estão sendo esperadas nos nove cemitérios existentes na cidade, incluindo os três localizados nos distritos de Galante, São José da Mata e Catolé de Boa Vista, durante todo o dia de hoje.
Os preparativos para as homenagens aos mortos começaram na manhã de ontem, com a limpeza e ornamentação dos túmulos. A parte de limpeza e restauração das áreas de trânsito estão prontas, ficando apenas os túmulos particulares finalizando os serviços de restauração.

No cemitério Nossa Senhora do Carmo, no bairro do Monte Santo, considerado o maior da cidade, e onde existem mais de quatro mil túmulos, cerca de 15 mil pessoas deverão circular durante este dia 2 de novembro, entre visitantes, comerciantes e funcionários.
De acordo com o administrador do cemitério, Ednaldo Bezerra, mais de 30 pessoas estarão trabalhando neste sábado, para garantir a tranquilidade dos visitantes. O movimento deve ser intenso durante todo o dia.

Na manhã de ontem, a movimentação já era intensa, apesar do feriadão, muitos campinenses preferiram deixar de viajar para manter a tradição de visitar os túmulos no Dia de Finados. O Dia de Finados também se transforma em uma fonte de renda extra, principalmente para comerciantes de flores e velas. Na véspera do feriado os comerciantes de flores e velas se instalaram em frente aos cemitérios. Hoje o movimento deve ser maior, quando famílias inteiras se reunirão em torno do hábito de reverenciar os entes queridos.

A vendedora Lindalva Barbosa, 43, mantém o ponto de venda que herdou da mãe e espera aumentar o faturamento do ano passado. “Comecei a vender flores há 30 anos com a minha mãe e continuamos depois da morte dela. Até agora o movimento está razoável, mas ainda deve melhorar. A gente só sabe quando termina”, explica. A flor mais vendida é a celsa, por ser a mais acessível, que custa R$ 3 o molho. Entre as mais caras estão a Rosa e o Monsenhor.
Todos os cemitérios de Campina Grande prepararam uma programação religiosa especial. Missas, cultos evangélicos e muita oração serão realizados ao longo de todo o dia.

No Campo Santo Parque da Paz, localizado na Alça Sudoeste, a programação vai contemplar católicos, evangélicos e espíritas, com atividades na capela ecumênica. Às 9h de hoje será realizada a missa, conduzida pelo bispo diocesano de Campina Grande, dom Manuel Delson e pelo padre Sérgio Leite.
No cemitério do Monte Santo, a programação religiosa começa às 6h, quando será realizada uma missa na capela. Haverá ainda missa às 10h e 17h, sendo que esta última será presidida pelo bispo diocesano dom Manoel Delson. ”Também serão celebrados cultos evangélicos ao longo de todo o dia e assim as pessoas que gostam de participar possam se sentir contempladas tanto para quem prefere visitar os túmulos pela manhã ou à tarde”, destacou o administrador.

Para quem irá visitar seus parentes e amigos falecidos nos cemitérios dos bairros de José Pinheiro, Cruzeiro, Bodocongó, Araxá e Vila Cabral, deverá consultar nos locais os horários das celebrações.
Para o diretor de fiscalização e serviços da Secretaria de Serviços Urbanos, Lizandro Navarro, todas as precauções estão sendo tomadas com antecedência para que não haja tumultos no Dia de Finados.

“Nós trabalhamos muito nos últimos 15 dias para deixar tudo pronto. Com certeza as pessoas encontrarão os locais limpos, sem pedras ou calçadas quebradas e todos terão condições de ficar o tempo de julgar necessário. São mais de 200 funcionários trabalhando para dar conta do serviço, já que estamos esperando um número superior a 40 mil pessoas circulando em todos os cemitérios”, confirmou Lizandro.

MONTE SANTO: um cemitério que guarda parte da história da Paraíba

Quem cruzar os portões do cemitério de Nossa Senhora do Carmo bairro do Monte Santo em Campina Grande, não tem noção da quantidade de história que está enterrada no chamado campo santo. Há mais de 100 anos o cemitério, guarda história e cumpre seu papel de lugar de resignação, despedida, dor e saudade.

No entanto, para além da triste incumbência, delegada a toda necrópole, o Monte Santo, guarda em seus jazidos, parte da história de ilustre personalidades políticas, religiosas e culturais da Rainha da Borborema. Entre seus mais de quatro mil túmulos, alguns chamam atenção. São incontáveis as figuras de relevo, personagens marcantes do passado, que ali descansam silencioso e inerte, fazendo do espaço um mausoléu da história de Campina Grande.

Entre as palmeiras imperiais que formam um corredor na entrada principal do cemitério, o visitante reparará, à esquerda, um túmulo que guarda os restos mortais de vários membros da família Figueiredo, raiz de uma das principais árvores genealógicas da Paraíba. Mais à frente, à direita, num enorme, porém, simples, o mausoléu onde está sepultado o homem que por mais tempo governou Campina Grande, o dinamarquês Cristiano Lauritzen, morto em 1923.

No Cemitério do Monte também estão enterrados o major Veneziano, falecido em 1962, e do seu filho, o jurista Antônio Vital do Rêgo. Tradicionalmente, este túmulo é um dos mais visitados no dia de Finados.

No silêncio sepulcral do Monte Santo, também estão enterrados pessoas como o ex-governador Ronaldo Cunha Lima, o tribuno, poeta, jornalista e político Félix de Sousa Araújo, um dos maiores nomes da história campinense; morto em 1953, o historiador Irenêo Joffily, e Raymundo Asfora, encontrado morto em sua granja a uma semana antes de assumir o cargo de vice-governador. Sobre o bonito jazigo feito de mármore e granito, a sombra de uma árvore torna o local convidativo para o descanso.

Os grandes nomes da Paraíba estão sepultados no cemitério Do Carmo Monte. No descanso eterno. Personagens conhecidos da história, como o ator, compositor e radialista Rosil Cavalcanti, falecido em 1968; João Vieira da Silva, o “João Carga D’água”, apontado como o principal líder do início da revolta do “Quebra Quilos”, de 1874, e o cangaceiro Antônio Silvino.

Todos os anos um dos túmulos mais visitados é o da menina Isabel Cristina, assassinada nos anos 70  a caminho de casa, e que segundo relato de muitos campinenses, já realizou milagres.

De acordo com relato do ex-prefeito Elpídio de Almeida, em seu livro “História de Campina Grande”, o cemitério Nossa Senhora do Carmo teria sido construído entre 1899 e 1900, durante a gestão do prefeito João Lourenço Porto.

Severino Lopes

PBAgora

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