Letícia Sabatella cresceu ouvindo a mãe cantarolar pela casa. Fã da atriz belga Audrey Hepburn, Marilza Ribeiro Sabatella, hoje com 70 anos, cismava em encomendar para si figurinos das artistas de cinema. O tempo passou. Marilza virou pedagoga, e Letícia, uma atriz de sucesso. Atuar juntas nunca passou pela cabeça delas. Até que o inesperado aconteceu, e as duas dividem a cena, pela primeira vez, na série “Amorteamo”, que estreia nesta sexta-feira, às vésperas do Dia das Mães.
Moradora de Curitiba, Marilza estava passando uma temporada no Rio visitando a filha quando resolveu incluir em seus passeios uma ida ao set de “Amorteamo”. Nesse dia, a diretora-geral da série, Flavia Lacerda, resolveu chamá-la para o elenco.
— É uma surpresa, né? Porque, na verdade, eu vim com uma intenção e saí com outra — conta Marilza.
— Ela é expressiva, linda, tem ótimo senso de humor e presença! — explica Flavia, que precisou dar uma orientação à mais nova atriz: — Pedi para reforçar o batom, bem vermelho! (risos)
Em sua primeira vez à frente das câmeras, Marilza virou dona de bordel. É para lá que Arlinda (Letícia) vai, jogada pelo marido, Aragão (Jackson Antunes), após tantos anos sofrendo nas mãos dele.
Na série de Cláudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno, Gabriel (Johnny Massaro) foi concebido minutos antes de seu pai, Chico (Daniel de Oliveira), ser morto por Aragão, que fica enfurecido ao ver a mulher com outro em sua cama. Já crescido, o fruto dessa traição abandona a noiva, Malvina (Marina Ruy Barbosa), no altar para viver seu amor por Lena (Arianne Botelho). Arrasada, Malvina provoca suicídio, mas volta à terra dos vivos, trazendo com ela todos os mortos da cidade.
— Sou meio apavorada com esse negócio. Vai que dá certo essa coisa de gente viva morta? — questiona Marilza, que é pedagoga.
— Minha mãe chegou para Cao (Albuquerque, figurinista de “Amorteamo”) e perguntou: “Qual assombração eu vou fazer?”. E ele falou assim: “Não! Você não vai fazer uma assombração, você vai fazer uma prostituta!”. E foi uma festa — lembra Letícia, de 43 anos, rindo.
Marilza conta, toda boba, que fizeram num instante um vestido preto de renda exclusivamente para suas cenas — que são poucas, e sem falas.
— Sou a chefe da turma do bordel. Chego lá arrumando os peitos. Tenho que mostrar serviço — brinca Marilza.
Extra








