Por pbagora.com.br

Quem vê o americano Chris Newman caminhando tímido pelas calçadas do Leblon não imagina que está de cara com um dos maiores entendidos em som da história de Hollywood. Ganhador de três Oscars, o editor veterano é o responsável pelo som de clássicos como “O poderoso chefão”, “O silêncio dos inocentes”, “O exorcista” e “O paciente inglês”, só para citar alguns.

 

De passagem pelo Brasil para apresentar workshops no Festival do Rio, Newman conversou com o G1 sobre seus 49 anos de carreira e expôs sua ácida visão sobre a indústria do cinema.

 

“Hollywood só quer fazer dinheiro”, diz o cineasta, de 69 anos. “Hoje as equipes técnicas não têm voz; os estúdios tratam os profissionais como peças descartáveis”, dispara.

E que conselho Chris Newman daria àqueles que sonham em fazer cinema? “Vá estudar para ser dentista”, corta. “[Cinema] É o mercado mais promíscuo que existe, ainda bem que meus filhos não seguiram esse caminho.”

 

 

No set com grandes diretores

Mas a relação do veterano com o cinema não é feita só de crítica, há também doces lembranças de filmagens ao lado de diretores como Sidney Lumet (com quem trabalhou em “Sob suspeita”), Jonathan Demme (de “Silêncio dos inocentes” e “Filadélfia”) e Milos Forman (com quem dividiu o set em “Amadeus” e “Hair”), apontados como seus favoritos. “Se o diretor deixa eu fazer meu trabalho em paz já é o suficiente para eu gostar dele, mas esses são especiais”, afirma.

 

Chris Newman conta que, na juventude, nunca tinha imaginado que chegaria ao primeiro escalão de Hollywood, nem mesmo que trabalharia como engenheiro de som. “Quando ganhei meu primeiro Oscar foi incrível; nunca pensei que isso me aconteceria”, lembra o cineasta, que acumula três estatuetas da Academia. “Eu só queria fazer filmes.”

 

Logo que se envolveu com a sétima arte, Newman se apaixonou pelas potencialidades da edição e mixagem de som. “O som é mágica pura, você aperta um botão e está tudo lá”, diz o cineasta, que encara as novidades tecnológicas da área com os dois pés atrás. “As condições melhoraram, mas há um erro: os profissionais tendem a substituir a substância por truques tecnológicos”, afirma.

 

Para Newman, a edição de som é “uma arte invisível”, que só é bem feita quando o público não percebe sua existência. “O editor sabe que fez um bom trabalho quando a plateia não presta atenção no som, se os efeitos sonoros se fazem notar, é porque há algo de errado.”

 

 

Da Redação