Por pbagora.com.br

Se é verdade que os norte-americanos não gostam de assistir a filmes com legenda, terão de aprender na marra se quiserem ver o novo filme de Quentin Tarantino, exibido pela primeira vez nesta quarta-feira (20) no Festival em Cannes.

 

“Não sou um cineasta americano. Eu faço meus filmes para o planeta Terra”, declarou Tarantino em entrevista coletiva nesta manhã, logo após a sessão.

 

Bem-humorados, Brad Pitt e Quentin Tarantino agitam o dia em Cannes

Formado por um elenco internacional, que inclui o ator americano Brad Pitt, a atriz francesa Mélanie Laurent, e os alemães Christoph Waltz, Daniel Brühl e Diane Kruger, “Inglorious basterds” alterna diálogos em inglês, francês, alemão e italiano. Dublagem é inviável, já que a graça do filme – uma história fictícia sobre um grupo de caça-nazistas durante a Segunda Guerra Mundial – está justamente nas sutilezas da (falta de) comunicação entre os personagens.

 

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Pitt interpreta o tenente Aldo Raine, um militar americano que escala uma tropa de elite formada por soldados judeus para se vingar dos ataques nazistas na Europa. Batizados de “Os bastardos”, cada integrante do grupo tem como missão recolher os escalpos de, pelo menos, cem oficiais nazistas cada um.

Do outro lado da guerra, está Hans Landa, general fluente em todas as línguas e com uma capacidade incrível de farejar a presença do inimigo por perto. Responsável pelos melhores diálogos do filme, o personagem interpretado pelo ator alemão Christoph Waltz é, sem dúvida, o maior trunfo de “Inglorious basterds”.

A opinião é Tarantino: “Percebi cedo, quando ainda estava escrevendo o roteiro, que tinha em mãos esse personagem impressionante. Ele é um gênio da linguística, e eu sabia que só poderia filmar se conseguisse um ator com esse talento, ou o personagem não sairia do papel. Fizemos muitos testes e, quando eu estava quase desistindo, o Christoph veio, sentou e leu duas cenas para a gente. Olhei então para os produtores e falei: ‘Nós vamos fazer o filme!'”

 

Para Brad

 

Primeiro a ser convocado, Pitt também teve importância fundamental no projeto. “Artisticamente, eu e ele estávamos flertando há muito tempo nos corredores”, disse Tarantino. “Brad sempre foi um ator com quem eu queria trabalhar um dia. Mas, para mim, não funciona assim. Nos meus filmes, os personagens sempre vêm antes. Então, quando escrevi o papel de Aldo, pensei: ‘OK, este é para o Brad.'”

O ator americano, que veio a Cannes sem a companhia da mulher, Angelina Jolie, conta como aceitou o convite: “Quentin me visitou uma dia em casa e levou o roteiro. Falamos a noite inteira sobre a história, sobre filmes… e, no dia seguinte, quando acordei, olhei na sala para as cinco garrafas de vinho vazias e uma parafernália estranha para fumar… Seis semanas depois já estávamos filmando.” E completou: “Estou sempre procurando algo novo, um personagem que seja fresco. Mas é também a companhia que eu escolho. Se vou ficar esse tempo todo longe de casa e da minha família, então tem de ser com as pessoas que significam algo para mim”.

Revelado no filme alemão “Adeus, Lênin!”, Daniel Brühl conta que o convite para trabalhar com Tarantino foi a realização de um sonho particular. “Eu tinha 16 anos e fui ao cinema ver ‘Pulp fiction’. Quando saí da sessão, virei para os meus amigos e falei: ‘um dia eu vou fazer o meu filme’. Quase não acreditei quando recebi a ligação para fazer os testes”, afirmou o ator, que interpreta um herói nazista de guerra que, em Paris, se apaixona pela dona de um cinema (Mélanie Laurent) chamada Shosanna sem saber que a jovem é uma judia fugitiva
 

 

Vingança a tacadas

 

Construído a partir de diálogos longos (e por vezes tediosos) e muitas cenas internas, “Inglorious basterds” traz algumas poucas sequências de ação e sadismo que lembram os velhos tempos de “Cães de aluguel”. Elas incluem uma passagem em que um dos bastardos, conhecido como O Urso Judeu, estraçalha o crânio de um oficial nazista usando um taco de beisebol e as cenas em que o personagem de Pitt marca com uma faca a suástica na testa dos inimigos a quem decide poupar a vida.

Seria, finalmente, a vingança dos judeus operada pelas mãos de Quentin Tarantino? “Pode ser, mas não sei se colocaria nessa categoria se fosse separá-lo na estante de uma locadora de vídeo. Para mim, o filme é mais sobre esses personagens que eu inventei reescrevendo o destino da História”, alivia o diretor.

 

Responsável pela catártica cena do taco de beisebol, o ator judeu Eli Roth deixa de lado o politicamente correto: “É algo que fantasio desde que era criança!”

 

 

 

 

 

G1

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