Cores, forças e experiências que se entrelaçam com o tempo, a partir da sensibilidade poética do artista. Desenhos deixam de ocupar apenas as paredes e passam a integrar todo o ambiente expositivo. Onde as cores ultrapassam a superfície e transformam o ambiente. Com esse olhar, o jornalista, desenhista e artista visual, Rogério Freire, apresenta a nova versão de sua exposição “Em o Tempo das Cores, Parte 3– Experiências.
Em cartaz no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAAP), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a exposição segue até o final de julho. A mostra tem curadoria da designer de interiores Rosana Carneiro. Teve a pré-estreia na última segunda-feira (06).
O Tempos das Cores é a nova versão do projeto que nasceu durante a pandemia de Covid-19. O trabalho, consiste no resgate ao desenhista que existe dentro do artista e que permaneceu dormindo por muitos anos.

A exposição traz mais de 60 peças, dos mais de 150 produzidos pelo artista, sendo que cada uma delas, a partir do desenho e da técnica utilizada, recebe as cores do lápis de cor e passa por um processo de vetorização, preservando a criação original, de modo que possa ser ampliada com qualidade e aplicada em diferentes suportes, a exemplo de painéis, tecidos, móveis e outros objetos.
“Os elementos presentes na mostra foram pensados para compor harmonicamente todo o ambiente que a recebe, unindo arte, design e arquitetura. As cores das paredes, por exemplo, escolhidas por Rosana, têm o objetivo de transmitir um cenário tanto acolhedor como sofisticado, em sintonia com os desenhos. É um trabalho em que o detalhe é muito importante e isso exigiu planejamento e cuidado para que o resultado traduzisse exatamente aquilo que imaginei”, contou.
Em conversa com o PB Agora, Rogério Freire enfatizou que nesta exposição, os desenhos ocupam um papel estratégico, passando a integrar todo o ambiente expositivo. As imagens ganham novos suportes e se estendem aos tecidos, ao mobiliário, aos objetos e às instalações, criando um espaço onde arte, design e arquitetura dialogam de forma integrada.
Cada elemento desta sala, segundo ele, foi pensado para construir uma atmosfera única. As cores das paredes foram definidas pela curadora e designer rosana carneiro, que escolheu uma paleta contemporânea de tons terrosos para criar um ambiente acolhedor e sofisticado, em perfeita sintonia com os desenhos. Essa escolha valoriza as obras, aquece o espaço e reforça a proposta de transformar a visita em uma experiência sensorial.
Esta é a área mais imersiva da exposição. Sofás, pufes, cadeiras e outros elementos receberam tecidos estampados com meus desenhos, fazendo com que a arte ultrapasse os limites das molduras e passe a fazer parte do espaço e da experiência de quem o percorre.
Também foi o maior desafio de todo este projeto. Cada detalhe exigiu planejamento, persistência e um cuidadoso trabalho de execução para que o resultado final traduzisse exatamente aquilo que imaginei. Superar cada obstáculo reforçou minha convicção de que a arte também é construída com dedicação, paciência e compromisso com a qualidade.

Segundo definiu Rogério Freire, mais do que apresentar uma coleção de desenhos, O Tempo das Cores 3 -Experiências, convida o visitante a caminhar por um universo onde cor, forma, desenho e espaço se encontram. Aqui, a arte deixa de ser apenas contemplada para ser vivida.
Uma das obras que está na mostra faz referência ao monumento “Os Pioneiros da Borborema”, a partir de uma obra cedida por Sócrates Gonçalves. “A ideia é mostrar este símbolo por uma perspectiva visual diferenciada. Para isso, há uma sobreposição geométrica, traçando um paralelo entre a história de Campina e a arte contemporânea. É uma homenagem às pessoas que construíram o município, com coragem e espírito empreendedor”, informou.
O diretor do Museu, professor José Pereira da Silva, endossou o retorno de Rogério Freire ao MAPP.
“E assim ele dá continuidade a um percurso que começou justamente neste espaço. É gratificante acompanhar a trajetória do trabalho dele. Nesta nova mostra, por exemplo, há um olhar cada vez mais atento para Campina, sua arquitetura, suas tradições. As obras falam da nossa identidade cultural, entrelaçadas à linguagem contemporânea. Pela receptividade que já vimos na abertura, acreditamos que será uma exposição bastante visitada”, disse.

Sobre o artista
Paulo Rogério Freire nasceu em Queimadas, na Paraíba, e chegou a Campina Grande ainda nos primeiros meses de vida. Durante mais de três décadas, ele atuou como jornalista, colunista social e produtor de eventos. Em seu processo criativo figura o desenho feito à mão, utilizando grafite e lápis de cor; depois, as peças são vetorizada.
“Foi nesta cidade que cresceu, construiu a sua história e desenvolvo o olhar para a cultura, para as pessoas e para a riqueza das manifestações populares do Nordeste. As cores das feiras, das bandeirinhas de São João, do artesanato e das festas populares sempre fizeram parte da memória afetiva do artista, muito antes de aparecerem nos seus desenhos” recordou.
Embora o desenho sempre estivesse presente em sua vida, foi durante a pandemia que ele encontrou espaço para ocupar o centro da sua trajetória.
“Em meio ao isolamento, comecei a desenhar ao lado dos meus sobrinhos-netos, Athos e Bernardo. O que nasceu como um momento de convivência familiar transformou-se em uma profunda redescoberta. Aos poucos, reencontrei no desenho uma nova forma de expressar sentimentos, memórias e experiências’ destacou.
O processo criativo começou no desenho feito à mão, utilizando grafite e lápis de cor. Em seguida, cada obra foi cuidadosamente vetorizada, preservando o traço original e permitindo ampliações e impressões em papéis, tecidos e outros suportes, sempre mantendo a essência do desenho.
Formado em Comunicação Social pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Rogério Freire é um dos mais renomados jornalistas e colunistas de Campina Grande. Vem uma vasta experiência na imprensa paraibana tendo trabalhado durante anos, por importantes veículos de comunicação do Estado.
Severino Lopes
PB Agora
