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Conselho Universitário da UEPB aprova título de Doutora Honoris Causa à Professora Eneida Agra Maracajá

Foto: Rondinelle de Paula/Ascom FICG

Homenagem, valorização da cultura e reconhecimento em vida ao legado de uma mulher símbolo de resistência.  Uma mulher no palco da vida e expressão da cultura campinense. O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) aprovou, por unanimidade, em reunião ordinária realizada nesta quarta-feira (23), sob a presidência da reitora Celia Regina, o título de Doutora Honoris Causa à professora Eneida Agra Maracajá.

Trata-se da maior honraria concedida pela UEPB  à personalidade que, pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos, tenha se distinguido, nacional ou internacionalmente.

A homenagem reconhece o legado e a trajetória de Eneida Agra em favor da cultura e das artes. Durante a reunião, vários conselheiros e conselheiras destacaram o legado da homenageada.

Foto: Rondinelle de Paula/Ascom FICG

A reitora Celia Regina disse que conceder a maior honraria da UEPB a Eneida Agra, é pertinente e uma iniciativa fantástica. A homenagem, conforme destacou a reitora, reconhece o legado de Eneida Agra Maracajá, um símbolo de luta e resistência à cultura campinense.

“Eneida é incansável. E o que ela faz, sempre faz bem feito” destacou a reitora.

A vice-reitora Ivonildes Fonseca também destacou o trabalho da professora Eneida, que ultrapassa os limites geográficos de Campina Grande. Para ela, uma homenagem justa, oportuna e merecida.

O Pró-reitor de Cultura da UEPB, o professor José Cristóvão de Andrade, também enalteceu a trajetória de Eneida, uma mulher, segundo ele, símbolo de resistência e luta em favor das artes.

O mesmo pensamento foi compartilhado pelo jornalista e professor Hipólito Lucena.

A Importância do Reconhecimento Institucional. Para Hipólito Lucena, que também é coordenador do  Festival Comunicurtas, “ o gesto da UEPB reafirma o papel da universidade pública em valorizar a memória viva e legitimar lideranças que construíram pontes entre o saber acadêmico e as manifestações populares”.

Conforme definiu Hipólito, “a união de vozes do Festival Comunicurtas e da Rede de Pontos de Cultura do Brasil chancela a relevância de manter viva a memória e o trabalho de quem dedicou décadas à democratização do acesso à arte no semiárido brasileiro”.

“A homenagem concedida pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) a Eneida Agra Maracajá celebra uma das trajetórias mais sólidas e transformadoras das políticas culturais do Nordeste e do Brasil” , destacou.

Eneida Agra Maracajá é uma professora, escritora e ativista cultural de destaque nacional, cuja vida se confunde com a história e a resistência da cultura em Campina Grande.

Eneida Agra Maracajá, cidadã campinense, com formação em Graduação em Pedagogia e Mestrado em Educação, possui vasta contribuição no contexto educacional e cultural de Campina Grande que se irradia para o restante do Estado e do País, evidenciada por sua intensa atuação nos espaços públicos de formação acadêmica, cultural e social.

Ela é a idealizadora do Festival de Inverno de Campina Grande, que este ano completou 51 anos de existência.

O evento leva teatro, dança, música, artes plásticas e literatura de qualidade, para a sua cidade. Ela tem muita sensibilidade para a arte de qualidade, seja a popular, seja a erudita. Além do Festival, durante todo o ano, Eneida comanda projetos de arte itinerantes, como o Bloco da Saudade,  São João do Carneirinho, Folias de Natal e Circo Cultural.

Ela foi fundadora do Bloco da Saudade e incentivadora apaixonada do frevo, recebendo diversas homenagens populares e institucionais ao longo dos anos.

Hoje, a grande paixão de Eneida é o Solidarium – Instituto de Arte, Cultura e Cidadania, que funciona na casa onde viveu o ex-prefeito Severino Cabral, na Rua Getúlio Vargas. É a casa dela. Lá, ela dialoga com o tempo, pondo como ponto de reflexão, a sua história e a sua contribuição ao desenvolvimento e fortalecimento das artes e da cultura.

Ao conceder o título Doutora Honoris Causa, os conselheiros ressaltaram outras obras de Eneida, a exemplo do projeto Cultura no Presídio, conduzido por Eneida durante 13 anos, no Complexo Penitenciário do Serrotão, premiado nacionalmente.

Um de seus grandes projetos, “Tamanquinhos das Artes”  envolvendo quase cem crianças em estado de vulnerabilidade social, desenvolve-se na Capela Santa Madalena, localizada na Feira Central de Campina Grande,  transformada em um grande Complexo Sócio-educacional. 

Foto:Ascom FICG

O trabalho é fundamentado na arte-educação, como pedagogia de valorização do lúdico da criança, englobando os sentidos da vida, da movimentação e da alegria, dentro da realidade concreta da criança: jogos teatrais, dança criativa, canto coral, artes plásticas, confecção de bonecos, ensino de violino, flauta doce.

Na Gestão Pública e Cultural, Eneida atuou como diretora do Teatro Municipal Severino Cabral em duas gestões (1973–1981 e 1985–1989) e foi Secretária de Cultura de Campina Grande entre 2011 e 2012.

Eneida é professora efetiva da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e com passagens pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Faculdade Católica de Filosofia de Campina Grande. Foi delegada do Conselho Brasileiro de Dança/UNESCO e do CIOFF (Conselho Internacional de Organizações de Festivais de Folklore e Artes Tradicionais).

Severino Lopes

PB Agora

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