Mais do que a crise, a necessidade de se fazer justiça está na ordem do dia em Berlim. Pelo menos é o que mostram muitos dos filmes da seleção oficial, estejam ou não em competição. Foi o caso de “O Leitor”, em cartaz no Brasil desde a sexta (6). É o caso também de “Storm”, coprodução entre Alemanha, Dinamarca e Holanda, exibida hoje na sessão do meio-dia – e muito bem recebido. Falado principalmente em inglês, alemão e croata, acompanha o julgamento de um criminoso de guerra sérvio pelo Tribunal Internacional de Haia e a posterior investigação em torno do suicídio de uma das principais testemunhas da promotoria.
 

“Storm”, dirigido pelo alemão Hans-Christian Schmid, o filme segue os passos da promotora responsável pelo caso no Tribunal de Haia. A neozelandesa Kerry Fox faz o papel. Com trabalhos inesquecíveis e radicais, como a personagem de “Intimidade”, de Patrice Chéreau, ela empresta força e fragilidade a essa mulher. Obcecada pelo trabalho e frustrada por ter sido preterida numa promoção, ela mergulha no caso do general bósnio após o suicídio de sua principal testemunha no julgamento, um rapaz bósnio que teria reconhecido o acusado em uma ação do Exército sérvio – o depoimento dele foi desacreditado em pleno tribunal pelos advogados de defesa.

Na sua investigação informal, Hannah descobre que a irmã do rapaz seria a única pessoa capaz de reconhecer o general sérvio, pois ela estaria entre as suas várias vítimas durante a guerra dos Bálcãs. A romena Anamaria Marinca faz o papel de Mira Arendt, a jovem que foge para a Alemanha, casa-se e estabelece família para se ver livre das memórias da guerra. Anamaria estreou no cinema em grande estilo. Ela faz uma das personagens de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, filme romeno ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2007.

A força de “Storm” vem justamente da relação que se estabelece entre Hanna e Mira. É a promotora quem descobre a história que liga Mira ao general sérvio e a convence a dar o depoimento. Contruído a partir de pesquisas do diretor e do roteirista Bernd Lange, o filme segue adiante discutindo a justiça e as brechas que o sistema abre para quem tem poder político e econômico nas mãos.
 

UOL

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