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Chico Buarque vai ganhar documentário com paralelo entre carreira de cantor e compositor

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 Discreto em aparições públicas, cuidadoso em relação à sua vida pessoal, Chico Buarque prepara-se para se abrir um pouco mais para a câmera do diretor e velho amigo Miguel Faria Jr. O cantor e compositor carioca (criado em São Paulo), que completa 70 anos em 2014, é o assunto do documentário que o autor de “Vinicius” (2005), biografia do poeta e compositor Vinicius de Moraes (1913-1980), começa a filmar em fevereiro, com o qual pretende passar em revista a trajetória profissional do músico, um dos maiores nomes da MPB.

Batizado com o título “Chico: artista e o tempo”, o filme será articulado em torno dos bastidores da montagem de um show do cantor, organizado especialmente para a produção, e de uma série de entrevistas com o ídolo, revelado ao público no primeiro Festival de Música Popular Brasileira, em 1966, com a canção “A banda”. A partir do repertório do espetáculo e dos testemunhos de Chico, o documentário quer traçar um paralelo entre a carreira de seu protagonista, cujas músicas tangenciavam aspectos da política e da cultura brasileiras, e os rumos recentes do pais.

‘Cronista do seu tempo’

— Queria fazer um filme sobre um artista nacional que tivesse relevância na História do Brasil nos últimos 50 anos. Chico, para mim, é o mais significativo deles. Ele acompanhou todas as transformações do país nas últimas cinco décadas, e seu trabalho, não só como compositor, mas também como escritor, é um reflexo de tudo o que aconteceu por aqui ao longo desse período. O Chico, com os personagens de suas canções e de seus livros, é o maior cronista de seu tempo, de sua geração, que também é a minha — explica o diretor carioca de 68 anos.

“Chico: o artista e o tempo” é uma versão mais radical do modelo não convencional de biografia de “Vinicius”, o recordista no ranking de documentários brasileiros, visto por cerca de 280 mil espectadores, que combinará dramatizações com atores e imagens de arquivo. Enquanto espera o produtor Jorge Peregrino (ex-presidente da Paramount para a América Latina) fechar a captação de recursos para a produção, orçada em um pouco mais de R$ 4 milhões (parte deles servirá para cobrir direitos autorais sobre imagens e fonogramas), Faria Jr. mergulha na pesquisa de material iconográfico, revirando redes de TV, primeiramente no Brasil e, em seguida, na Europa.

— O Chico é um artista da era da televisão. Há muitos registros visuais dele, aqui e lá fora. A caixa com 12 DVDs sobre o Chico que o Roberto de Oliveira lançou, anos atrás, feitos só com o material disponível na TV Bandeirantes, é a maior prova disso. A televisão francesa tem muita coisa sobre ele, a alemã, também — enumera o diretor, que se debruçou pela primeira vez sobre uma personalidade musical em 1969, com o documentário “Lamartine Babo”, sobre o compositor carioca nascido no início do século passado. — Esse tipo de material traz surpresas enormes, também serve de caminho para o filme.

Faria Jr., no entanto, diz que o foco de “Chico: o artista e o tempo” é “a palavra escrita e falada, o artista revelado em primeira pessoa” e que, por isso, a estrutura do filme virá do resultado das entrevistas com o cantor. É do próprio relato de Chico Buarque que virão as indicações para o repertório musical do show, os temas a serem explorados pela câmera e as situações a serem encenadas por atores (ainda sem elenco definido).

O compositor de “Meu guri”, “Geni” e tantos outros sucessos, alguns deles censurados durante a ditadura militar, é autor de mais de 400 canções.

— O momento presente do filme é o show. É a partir da memória do Chico, de suas lembranças do passado e das músicas que criou, que vou reconstruindo a história dele, que está entrelaçada com a do país. Digamos que eu pergunte sobre a canção “Iracema”. Vou puxar conversa para saber o que ela significa, em que circunstâncias foi escrita, como uma pequena biografia. A parte ficcional virá dos personagens de suas músicas. Por exemplo: a ideia de ver a Geni conversando com o seu criador me parece encantadora — elabora o diretor.

A seu favor, Faria Jr. conta com a vantagem de desfrutar de uma longa amizade com o reservado entrevistado:

— Conheço o Chico há mais de 30 anos. Somos da época em que o pessoal do cinema e o da música eram muito ligados, e acabaram se encontrando nos bares da cidade — lembra o realizador. — Chegamos a trabalhar juntos. Em 1978, ele compôs músicas para o filme “República dos assassinos”. Depois, escreveu comigo o roteiro de “Para viver um grande amor” (1984), a partir da peça “Pobre menina rica”, do Vinicius (de Moraes), além de compor algumas músicas para o filme, junto com o Tom (Jobim). Independentemente de nossa amizade, quero fazer um filme sobre o Chico porque eu o acho um artista exemplar em seu ofício, que vive de sua arte e para ela.

O Globo

 

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