Por pbagora.com.br

Chico Buarque faz uma pequena participação no filme “Budapeste”, que estreia nos cinemas nesta sexta (22). Mas se dependesse do diretor Walter Carvalho, o compositor seria o ator principal do trabalho. “O personagem principal tem perfil muito parecido com o do Chico Buarque”, disse ao UOL Cinema.

Nesta entrevista, Walter Carvalho, conhecido pela sua carreira como diretor de fotografia de filmes como “Carandiru” (2003) e “Central do Brasil (1999), fala dos desafios de levar às telas o livro de Chico Buarque e dos bastidores da produção.

 

No final da conversa, adiantou que seu próximo trabalho será a direção de um documentário sobre o cantor Raul Seixas, e disse que não está deixando a direção de fotografia. “Sou um diretor de fotografia que dirige. Eu jamais vou parar de dirigir a fotografia dos filmes de meus amigos. E jamais me recusarei a aceitar um convite para dirigir um filme”, afirmou.
Desafio de filmar “Budapeste”
“Eu recebi um convite da produtora para dirigir o filme. No momento que recebi a proposta foi uma espécie de desafio e ao mesmo tempo um estímulo. Eu pedi para ler o livro e descobri que estava diante de um problema. “Budapeste” é um livro muito difícil para adaptar para o cinema e isso determinou a minha decisão.

O Chico [Buarque] não trabalha com clichês, com historinhas com começo, meio e fim. Ele trabalha com elementos narrativos e dramatúrgicos que convidam o leitor a entender a história à medida que ela avança. Não tem uma coisa pronta para o espectador se deliciar. É uma leitura que convida ao pensamento, a montar a própria estrutura dos personagens junto com a narrativa.

Relação com Chico Buarque
Eu mantive contatos para tirar algumas dúvidas, dividir algumas ideias de adaptação e saber a opinião do Chico. Ele dava opiniões sem nenhuma imposição. Algumas coisas ele deixava que eu resolvesse, outras ele sugeria algumas ideias, sem nenhuma intervenção fundamental no processo de meu trabalho, a ponto de aceitar fazer uma pequena participação.

Se não fosse um filme de produtor, mas fosse só meu, o ator principal seria o Chico. Porque ele é o próprio Costa [o escritor que é o personagem principal de “Budapeste”]. O Costa tem o perfil muito parecido com o autor Chico Buarque. Então tive a ideia de convidá-lo para fazer uma aparição à la Hitchcock, pedindo autógrafo ao Costa. E ele topou. A participação dele é narrativa. No fundo, é ele que pede autógrafo a ele mesmo, através do personagem Costa, o personagem que ele escreveu. Por isso ele aparece com a mesma roupa do Costa. Ele pede autógrafo para o autor do livro, que foi ele. Isso também explica porque no filme o próprio Costa pede autógrafo a um poeta para quem ele escreve, que diz a mesma frase que ele diz no livro. Existe uma metalinguagem no filme.

 

 

UOL

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