Julia Roberts e eu vivemos uma relação profissional de amor e ódio. De minha parte, amor. Da parte dela, ódio. Ao entrevistá-la no ano 2000 sobre o filme Erin Brockovich – Uma mulher de talento, que lhe renderia o Oscar de melhor atriz, Julia submeteu-me, assim como a outros colegas de profissão, a um tratamento sádico. Não tínhamos ideia de que nossas entrevistas estavam sendo acompanhadas por um repórter da revista americana Rolling Stone, que, escondido num outro cômodo da suíte de hotel, anotava os comentários zombeteiros da atriz, a serem publicados num grande perfil. “Você também me trouxe um presente como a repórter brasileira que acabou de sair?”, disse Julia, sem me cumprimentar. Diante da negativa, ela retrucou: “Vou fazer você sofrer!”. E fez.

Julia Roberts era famosa por bancar a megera com a imprensa (talvez por ter estudado jornalismo). Certa vez, levou uma repórter japonesa às lágrimas, ao caçoar de seu sotaque. Foi para algo assim que me preparei quando fui entrevistá-la na tarde de sábado, dia 7, numa suíte do hotel Ritz-Carlton, em Manhattan, sobre o filme Duplicidade. Para minha surpresa, Julia chega cordeirinha. Está toda de preto, da calça de algodão sem grife ao suéter Giorgio Armani jogado nas costas. Usa pouca maquiagem, e o cabelo ruivo está solto, sem muita produção. Em eventos como esse, a aparência casual de uma estrela mostra que ela está em paz consigo mesma. As primeiras palavras confirmam o bom humor. Julia diz que o salto alto a incomoda e me mostra os dois anéis de brilhante no mesmo dedo: um de casamento, um de noivado.

G1

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